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Governador de Rondônia censura livros em escolas, incluindo os clássicos Macunaíma e Os Sertões

Político bolsonarista considerou as obras inadequadas para crianças e adolescentes. Secretário da Educação afirmou que memorando é um "rascunho"

André Nogueira Publicado em 07/02/2020, às 10h00 - Atualizado às 10h15

"A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo." Joseph Addison
"A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo." Joseph Addison - Governo de Alagoas

Em ofício público divulgado pela Secretaria da Educação de Rondônia, o governador bolsonarista e coronel da PM, Marcos Rocha (PSL), ordenou a retirada de 43 livros considerados indecentes que estão espalhados em as escolas estaduais. Entre os autores indicados, estão nomes de peso como Machado de Assis, Nelson Rodrigues e Franz Kafka.

O memorando censurou títulos importantes da literatura nacional, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado, Os Sertões, de Euclides da Cunha e Macunaíma, de Mario de Andrade, argumentando terem "conteúdos inadequados às crianças e adolescentes". Porém, a ordem não foi efetivada por pressões da oposição.

Cel. Rocha, governador de RO / Crédito: Reprodução

 

O secretário da educação, Suamy Vivecananda Lacerda, chegou a afirmar ao portal G1 que o documento é apenas um "rascunho técnico que não teria sido expedido". Também disse não concordar com a ação.

Confira a lista de obras que seriam confiscadas:

Crédito: Secretaria da Educação de Rondônia

 

Desde a publicação do ofício, a decisão de Marcos Rocha causou indignação nas redes sociais e a oposição à ação, denunciada como anticonstitucional, levou ao recuo do governador. Agora, o documento passou ao status de sigiloso no sistema da Secretaria.