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Governo paquistanês negocia boicote de produtos franceses após caricaturas de Maomé

O anúncio foi feito pelo líder do grupo extremista Tehreek-e-Labaik Pakistan, que cogita a expulsão do embaixador da França no país

Wallacy Ferrari Publicado em 18/11/2020, às 07h30

Protestantes queimam imagem de Macron
Protestantes queimam imagem de Macron - Getty Images

Um grupo islâmico anunciou o cancelamento de protestos contra o presidente Emmanuel Macron e as ações contra a França após uma manifestação positiva do governo paquistanês em boicotar a entrada de mercadorias francesas no país.

As manifestações ocorrem em países islâmicos desde outubro deste ano, quando Macron repreendeu a morte do professor Samuel Paty, que mostrou caricaturas de Maomé aos alunos.

O grupo extremista Tehreek-e-Labaik Pakistan (TLP) ainda divulgou cópias de um suposto acordo do boicote, contando com a assinatura de dois ministros paquistaneses.

Em nota, o governo afirmou, na última terça-feira, 17, que a questão ainda não está resolvida, sem confirmar quais seriam as medidas tomadas em relação ao boicote.

O porta-voz do grupo, Ejaz Ashrafi, conversou com a agência de notícias Reuters, conforme noticiado pela BBC, confirmando a interrupção do ativismo religioso.

De acordo com ele, o governo dará ao parlamento o direito de decidir se o embaixador francês no país deve ser expulso:  "Estamos cancelando nossos protestos depois que o governo assinou um acordo que endossará oficialmente o boicote aos produtos franceses".

A morte de Paty confronta o secularismo estatal da França, considerada fundamental para a identidade do país por permitir a liberdade de expressão em espaços públicos, como escolas e hospitais — iniciando um conflito cultural com muçulmanos.