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27 anos do Genocídio em Ruanda: a mulher que reencontrou os parentes separados pela tragédia

Grace perdeu os pais biológicos quando tinha apenas 2 anos de idade e foi adotada por outra família; em 2020, 26 anos após o conflito, ela reencontrou seus parentes

Caio Tortamano Publicado em 07/04/2021, às 11h29

À esquerda, Grace Umutoni ainda criança. À direita, ela já adulta
À esquerda, Grace Umutoni ainda criança. À direita, ela já adulta - Divulgação/Grace

No ano de 2020 uma mulher chamada GraceUmutoni reencontrou seus familiares após mais de duas décadas do genocídio ocorrido em seu país, Ruanda. Ela era apenas uma criança de dois anos quando se viu órfã de pai e mãe, uma vez que ambos haviam sido mortos durante a onda de violência.

O conflito, que se deu no ano de 1994, foi tão cruel que, em apenas 100 dias, 800 mil pessoas foram mortas em razão de sua etnia. 

O que foi o genocídio em Ruanda

Ao longo de muitos anos, dois diferentes grupos étnicos ruandeses viveram em conflito, os hutus e os tutsi. Os primeiros representam hoje 85% da população, enquanto a menor parte é composta pelos tutsi.

Entretanto, mesmo se tratando de uma minoria, esses últimos comandaram o poder durante um longo período de tempo no país, até que, em 1959, os rivais hutus derrubaram a monarquia tutsi, de modo que muitos tiveram de se refugiar em países vizinhos, em especial a Uganda. Lá, surgiu um grupo de exilados conhecido como Frente Patriótica Ruandesa (RPF), que invadiu Ruanda no ano de 1990.

Igrejas se tornaram locais de massacres durante o genocídio - Crédito: Getty Images

 

A onda de violência cessou por um breve período três anos depois, quando foi firmado um acordo de paz. Contudo, um evento ocorrido em 6 de abril de 1994 acabou por restituir o conflito.

O que aconteceu foi que um grupo de extremistas hutus culpou a RPF quando uma aeronave que transportava os presidentes da Ruanda e do Burundi, que eram hutus, foi derrubada. Em contrapartida, a RPF afirmava que, na verdade, o avião havia sido derrubado por aqueles que os acusavam no intuito de incriminá-los e darem início a uma política de extermínio por meio da fomentação do ódio.

O genocídio somente chegou ao fim após a RPF, com apoio do exército de Uganda, ter conquistado, aos poucos, o território. O último passo foi a tomada da capital Kigali, no dia 4 de julho. Na época, em torno de dois milhões de pessoas da etnia hutu fugiram para República Democrática do Congo.

Grace, à esquerda, perdeu sua mãe no conflito - Crédito: Divulgação/Grace Umtoni

 

A história de Grace

Órfã aos dois anos, Grace Umotoni reencontrou parte de sua família depois de ter colocado sua história em diferentes redes sociais, como Whatsapp, Facebook e Twitter. Aos 28 anos de idade, a enfermeira sabia que tinha sido levada até o centro da capital de Ruanda, Kigali, depois de seus pais terem morrido em Nyamirambo, bairro onde moravam.

Os pais da jovem morreram durante o genocídio de Ruanda, em 1994. Depois de meses, Antoine Rugagi se deparou com a foto da mulher em um grupo do Whatsapp, e percebeu que ela se parecia muito com a falecida irmã. Uma notícia surpreendente: era um reencontro familiar.

Grace e seu tio - Crédito: Divulgação/Grace Umutoni

 

Em entrevista à BBC, Grace afirmou que fez testes de DNA e que os resultados apontaram 82% de compatibilidade genética, uma semelhança expressiva entre tios e sobrinhos. “Fiquei chocada, não pude deixar de expressar a minha felicidade, ainda hoje acho que estou sonhando, foi o milagre que sempre orei”, disse Umutoni.

Rugagi revelou a Grace que seu nome original era Yvette Mumporeze, mas pela falta dos parentes acabou se perdendo com o tempo. Com a ajuda do tio, a mulher foi apresentada não somente a família por parte de mãe, bem como o lado paterno de sua família, com a qual também tinha perdido contato.


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