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Grileiros aproveitam a pandemia de coronavírus para roubar terras públicas na Amazônia

Os criminosos são responsáveis por devastar 60% do território e podem sair ilesos se uma Medida Provisória for aceita no Congresso Nacional

Paola Churchill Publicado em 14/05/2020, às 15h00

Desmatamento em terreno indígena no Pará, em 2019
Desmatamento em terreno indígena no Pará, em 2019 - Getty Images

Aproveitando-se do surto da Covid-19 no país, começou a circular no Congresso Nacional uma medida provisória para facilitar o roubo de terras públicas na Amazônia, que representa 60% da área total do lugar.

Esse crime é cometido por grandes grupos criminosos que invadem, queimam, desmatam e falsificam documentos de posse para depois ganhar milhões de reais vendendo as terras roubadas.

Esses criminosos são responsáveis por grande parte do desmatamento da área e, além disso, eles criam um clima de violência e corrupção no ambiente. O que está facilitando a atuação dessas quadrilhas é a edição da medida provisória 910, feita pelo presidente Jair Bolsonaro no final do ano passado.

Essa medida legaliza a posse de terras invadidas entre 2011 e 2018, essa mudança na lei facilita a vida dos grileiros e incentiva invasões, pois, eles sabem que não sofreram consequências no futuro.

Os que defendem a MP insistem em dizer que, se os invasores forem legalizados, eles usariam a terra de uma forma mais produtiva e ajudaria o pequeno agricultor. Mas, o território já se mostrava produtivo muito antes da invasão.

Ontem, 13, mais de 100 ONGs assinaram uma carta pedindo para que o Congresso Nacional não assine a Medida provisória, afirmando que a lei estimula a invasão de terra no Brasil e as consequências futuras da ação serão irreparáveis.

Eles conseguiram adiar a votação, contudo, existe ainda uma grande pressão para ela ser sansionada para que especuladores imobiliários lucrem com o desmatamento. 

Surgiu nas redes sociais uma campanha chamada MP910 NÃO, que pede para que a população fale mais sobre o assunto e cobre de seus governantes que não entreguem as terras para os grileiros.