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Grupos neonazistas seguidores de Odin vandalizam sítios históricos na Inglaterra

Devotos do antigo deus nórdico, supremacistas brancos estão fazendo rituais insólitos em lugares antigos do país

Vinícius Buono Publicado em 13/08/2019, às 14h00

Supremacistas brancos do grupo Sons of Odin (Filhos de Odin)
Supremacistas brancos do grupo Sons of Odin (Filhos de Odin) - Roland Hoskins

Grupos neo-nazistas devotos do antigo deus nórdico Odin estão fazendo rituais e deixando suásticas marcadas em lugares de origem pré-histórica na Inglaterra.

Dentre os absurdos proferidos por tais grupos, estão o total desprezo por uma sociedade plural e miscigenada, a qual eles acusam de ser um desastre, além de destrutiva em todas as suas formas e níveis.

Segundo reportagem do jornal britânico The Telegraph, os rituais feitos por eles em locais históricos têm a ver com a ideia de retomada ou reconquista para a antiga fé nórdica.

Suásticas foram registras nas árvores localizadas como os Círculos de Pedra de Avebury e na Wayland’s Smitthy, uma espécie de complexo de covas datadas do período neolítico. Ainda de acordo com a reportagem, os rituais contaram com a presença de membros das violentas (e proibidas) organizações neo-nazistas Combat 18 e National Action (Combate 18 e Ação Nacional).

O Fundo Nacional para Locais de Interesse Histórico ou Beleza Natural, organização britânica responsável pela preservação de tais localidades, já anunciou planos para aumentar a segurança e vigilância nelas.

Odin, o Pai de Todos, é o principal deus do panteão nórdico, uma religião politeísta comum aos germânicos e associada principalmente aos vikings escandinavos antes da conversão ao cristianismo. Nos últimos anos, alguns grupos supremacistas brancos, como o Filhos de Odin e o Povo de Woden (Woden e Wotan são outros nomes para o deus), vêm provocando uma ressurgência dessa mitologia.

Em 2011, o terrorista norueguês Anders Breivik, após matar 77 pessoas no país, disse ao tribunal que era seguidor de Odin. Brenton Tarant, também terrorista e responsável pelo assassinato de 51 pessoas numa igreja na Nova Zelândia no início do ano, deixou um manifesto, onde escreveu as palavras “Vejo vocês em Valhalla”.

Valhalla era o hall em Asgard, o mundo dos deuses, comandado por Odin, para onde os nórdicos acreditavam que os guerreiros iam quando mortos em batalha, como sinal de bravura. Foram essas, também, as últimas palavras de Heinrich Ehrler, um dos mais famosos pilotos nazistas da Segunda Guerra Mundial, quando, sem munição, explodiu sua aeronave em uma inimiga.

A ascensão de movimentos de extrema-direita em todo o mundo, combinada com a crise migratória na Europa, cria um terreno fértil para o ressurgimento de tais ideologias. O líder do Povo de Woden, Geoffrey Dunn, posta vídeos apinhados de racismo em seu canal no YouTube.

A ideia de Valhalla é especialmente perigosa porque, na mitologia original, é destinada a bravos guerreiros. Os neonazistas podem entender como um convite à violência, para aqueles que lutam (e matam) pelos seus ideais de supremacia branca.