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Guerra de bombas atômicas entre EUA e Rússia geraria inverno nuclear catastrófico, afirma estudo

Segundo nova análise, um conflito nuclear aos moldes dos prometidos na Guerra Fria faria despencar a temperatura e inviabilizar a vida humana como conhecemos

André Nogueira Publicado em 02/09/2019, às 09h00

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- Reprodução

Segundo um novo estudo, se a Rússia e os EUA entrassem em um conflito armado com bombas atômicas, como foi tão prometido na Guerra Fria, um desastre global desencadearia um colapso climático que foi nomeado de Inverno Nuclear, causa de mortes, crises de fome e desestabilização ambiental.

"As pessoas pensam que as armas nucleares são apenas bombas maiores", disse Alan Robock, coautor do estudo. Diferentemente de uma bomba comum, as armas atômicas têm como consequência direta o depósito de grandes quantidades de fumaça na estratosfera, gerando nuvens pesadas com alta capacidade de tapar o sol por anos. Isso poderia causar a diminuição da irradiação da luz e o esfriamento do clima da terra.

"Realmente haveria um inverno nuclear com consequências catastróficas", disse Joshua Coupe, autor principal do texto. Segundo ele, o lançamento de todo o arsenal nuclear dos dois países geraria uma nuvem de fumaça que anularia a possibilidade de um verão: as temperaturas no Hemisfério Norte reduziriam abaixo de zero, as estações de crescimento do plantio cairiam em 90% e a fome se alastraria pelo mundo.

Explosão nuclear atinge atmosfera / Crédito: Wikimedia Commons

 

Claro, além das temperaturas, índices e fenômenos como fluxos atmosféricos, frentes de ar, correntes oceânicas, etc., seriam alterados drasticamente. Enquanto isso, boa parte da biodiversidade marítima cairia em declínio, fazendo da pesca uma alternativa inviável.

Além disso, a poeira atmosférica criaria grandes buracos na camada de ozônio, fazendo com que a radiação solar adentrasse à troposfera e à crosta a níveis pré-históricos. "O problema não está resolvido", disse Robock. "Embora os arsenais tenham caído, ainda é suficiente para criar um inverno nuclear", completou, em referência à diminuição dos arsenais nucleares entre os nove países com bombas atômicas no mundo.