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Há 16 anos, o guitarrista Dimebag Darrell era assassinado em cima do palco

Na mesma data que morreu John Lennon, o ídolo do Pantera foi vítima de um ataque chocante de um fã inconformado

Wallacy Ferrari Publicado em 09/12/2020, às 11h44 - Atualizado às 16h53

Dimebag Darrell posa com guitarra para fotografia
Dimebag Darrell posa com guitarra para fotografia - Divulgação / GRAMMY

Nascido Darrell Lance Abbott, o garoto de Dallas, no Texas, se tornou mundialmente famoso com o apelido “Dimebag”. Ao lado do irmão Vinnie, cresceu ouvindo bandas de rock como Kiss, Van Halen e Judas Priest — conjuntos notáveis pela execução musical complexa. Se por um lado Vinnie ficou aficionado pela bateria, Darrell encontrou na guitarra a oportunidade de se especializar tecnicamente.

Juntos, formaram o Pantera, contando com o baixista Rex Brown e, inicialmente, com o vocalista Terry Glaze. Os três primeiros discos da banda atingiram pouco sucesso comercial e tiveram mínima originalidade em relação a outras bandas de glam rock da época.

Porém, a saída do vocalista e a substituição por Phil Anselmo mudou a trajetória do grupo, que trocou as calças coloridas por bermudas pretas e reformulou o grupo com músicas mais pesadas.

O resultado foi o disco ‘Cowboys from Hell’, em 1990, responsável não apenas por emergir o metal nas paradas de rock mainstream, como também ocasionou no sucesso comercial do grupo, perdurando pelos seis anos seguintes como a maior banda do gênero no mundo — até o início dos problemas de Anselmo com drogas e com a lei, sofrendo uma overdose após um show.

Anselmo e Dimebag juntos em entrevista / Crédito: Divulgação / MTV

 

No início dos anos 2000, os irmãos concordaram em encerrar as atividades do Pantera, culpando Anselmo pela desarmonia com os outros membros e iniciando uma briga pública, com o ex-vocalista chegando a afirmar que "Dimebag merecia ser espancado severamente" em entrevista a uma revista. Vince e Darrell preferiram formar uma banda nova, chamada Damageplan, para prosseguir trabalhando no ramo.

Noite sangrenta

Prosseguindo as atividades com a nova banda, o grupo saiu em turne na segunda metade de 2004, cruzando os Estados Unidos. Em 8 de dezembro, no entanto, um 'fã' chamado Nathan Gale, inconformado pelo fim do Pantera e motivado pelas afirmações do vocalista de que Dimebag teria sido o causador de sua saída, subiu no palco do clube Alrosa Villa, em Ohio, e matou o guitarrista com um tiro.

Nos shows de trash metal, as subidas ao palco para arremessar o corpo contra a plateia são comuns, sendo pouco impedido por seguranças para se aproximar dos músicos. Usando desse advento, ele ainda matou o chefe da segurança, Jeff Thompson, o funcionário da casa noturna Erin Halk, e um fã identificado como Nathan Bray, além de disparar contra outros dois funcionários da banda, que sobreviveram.

De acordo com testemunhas, Nathan invadiu o palco aos gritos, afirmando que ele “acabou com o Pantera” e “arruinou sua vida”. Com o tumulto e saída em massa da plateia, o oficial de polícia James Niggemeyer conseguiu acertar os disparos contra o atirador antes de sua fuga, falecendo no palco ao lado do idealizador dos principais riffs de sua banda favorita.

Lendária guitarra de Dimebag ao chão após assassinato / Crédito: Divulgação / WBNS-10TV

 

Legado do ódio

A investigação apontou que Gale era grande fã de trash metal e sofria de problemas mentais, sendo diagnosticado durante uma conturbada passagem pelo Exército Americano, sendo dispensado no ano anterior por circunstâncias não esclarecidas.

De acordo com a CBS News, pessoas próximas acreditavam que ele sofria de esquizofrenia — teoria corroborada após o acesso aos manuscritos do jovem durante a investigação.

Darrell foi velado em uma cerimônia particular de parentes, recebendo uma vigília de metaleiros na porta de sua casa. Anselmo compreende que a entrevista na revista Metal Hammer contribuiu para o fato, mas insistiu durante a investigação que o comentário era irônico e foi enfatizado na capa da revista, como contou no documentário Behind The Music, da VH1, em 2006.

O irmão Vinnie, por sua vez, cravou a morte como o ponto final para qualquer tentativa de reaproximação ou retorno do Pantera, o que foi confirmado em 2018, quando o baterista e irmão faleceu, vítima de um infarto, aos 54 anos. Ele foi enterrado ao lado do irmão e da mãe.


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