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Há exatos 31 anos um dos assassinos da primeira-ministra Indira Gandhi era executado

O atentado foi uma represália contra a sangrenta invasão ordenada por Indira no Templo Dourado de Amritsar

Fabio Previdelli Publicado em 06/01/2020, às 12h47

Foto de Indira Gandhi
Foto de Indira Gandhi - Wikimedia Commons

Era por volta das 9h30 do dia 31 de outubro 1984. A primeira-ministra indiana Indira Gandhi se preparava para sair de sua residência, em Safdarjung Road, para dar uma entrevista ao ator inglês Peter Ustinov, quando ela recebe em seu peito um tiro à queima-roupa.

Ela foi morta por dois de seus seguranças, Satwant Singh e Beant Sing, que eram integrantes da seita sikh. O ato foi uma represália contra a sangrenta invasão ordenada por Indira em junho, que aconteceu no Templo Dourado de Amritsar, quando morreram 800 sikhs.

Foto de Indira Gandhi / Crédito: Wikimedia Commons

 

Denominado de Operação Estrela Azul, o exercício foi ordenado pela primeira-ministra que visava remover o líder militante sikh Jarnail Singh Bhindranwale e seus seguidores armados dos edifícios do complexo Harmandir Sahib em Amritsar, Punjab.

A Operação teve um amplo impacto na Índia, pois muitos jovens sikhs se juntaram ao movimento Khalistan. Assim Indira ficou cada vez mais impopular entre o grupo e as ameaças contra sua vida aumentaram.

Consequentemente, os sikhs foram removidos de seu guarda-costas pessoal pelo Intelligence Bureau. No entanto, Gandhi acreditava que isso reforçaria uma imagem anti-sikh. Então, ela ordenou que o Grupo de Proteção Especial restabelecesse os sikh como seus guardas costas, incluindo Beant Sing, que era considerado o guarda-costas de maior confiança por já trabalhar para Gandhi por dez anos.

Gandhi foi levada ao Instituto de Ciências Médicas da Índia às pressas. Sangrando em profusão, ela chegou ao hospital sem respirar e com as pupilas dilatadas. Apesar das diversas operações e esforços médicos, ela foi declarada morta às 14h23.

Indira Gandhi sendo velada após ser assassinada / Crédito: Wikimedia Commons

 

A autopsia constatou que ela havia sido atingida por 30 balas de submetralhadora Sterling e de um revólver. Ao todo, os assassinos dispararam 33 balas, das quais 30 a atingiram, sendo que 23 passaram pelo seu corpo e sete permaneceram no seu interior.

Beant Sing foi assassinado no mesmo dia do atentado por outros seguranças. Já Satwant Singh foi condenado à pena de morte, sendo executado há exatos 31 anos, no dia 6 de janeiro de 1989.