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Herdeiros da Samsung prometem doar 23 mil obras para pagar impostos

A fim de quitar a dívida bilionária sobre a herança de Lee Kun-hee, eles devem abrir mão de pinturas de Picasso, Dalí e Monet

Pamela Malva Publicado em 28/04/2021, às 17h30

Pintura 'Le Bassin Aux Nympheas', de Claude Monet
Pintura 'Le Bassin Aux Nympheas', de Claude Monet - Divulgação/National Museum of Modern and Contemporary Art

Em outubro de 2020, Lee Kun-hee, antigo líder do conglomerado da Samsung, faleceu, deixando uma enorme dívida para os seus herdeiros. Agora, os responsáveis pela empresa afirmaram que devem doar pinturas famosas para pagar o valor bilionário.

Acontece que, na Coreia do Sul, os impostos sobre uma herança são muito elevados, já que a legislação do país é bastante rígida nesse sentido. Dessa forma, até mesmo Lee Jae-yong, atual presidente da Samsung e herdeiro de Kun-hee, que cumpre uma pena de dois anos por corrupção, terá de pagar a dívida bilionária.

No total, segundo a IstoÉ, são cerca de 10,8 bilhões de dólares em dívidas criadas pelos impostos sobre a herança de Kun-hee. Para quitar a quantia, então, os herdeiros do falecido devem abrir mão de pinturas de Picasso, Miró, Dali, Monet e Gauguin.

Pensando no valor assustador, os herdeiros do empresário planejam “pagar mais de 12 trilhões de wons em impostos relacionados à herança, o que é mais da metade do valor do patrimônio total do falecido presidente”, segundo comunicado da própria Samsung.

Fotografia de Lee Kun-hee / Crédito: Getty Images

 

Considerado o homem mais rico da Coreia do Sul no ano de sua morte, Lee Kun-hee deixou um patrimônio avaliado em mais de 19,8 bilhões de dólares. Tal quantia conta com ações que ele detinha na Samsung Electronics, na Samsung Life e na Samsung C&T.

Dessa forma, ainda de acordo com o comunicado da empresa, o “pagamento do imposto sobre herança é um dos maiores já feitos na Coreia e no mundo”. A dívida, portanto, deverá ser paga em seis vezes, sendo que os herdeiros de Kun-hee prometem doar 23 mil obras da coleção do pai para cobrir o enorme valor.

Entre as mais variadas pinturas, os donos da herança deverão abrir mão de 14 peças registradas na lista de Tesouros Nacionais da Coreia do Sul. Grande parte das obras, então, será enviada para o Museu Nacional da Coreia e para o Museu Nacional de Arte Contemporânea (MMCA), onde as peças ficarão expostas ao público.

O problema é que, segundo diversos jornais do país, as obras de Pablo Picasso, Paul Gauguin, Claude Monet, Joan Miró e Salvador Dalí, além de antigas pintuas coreanas, devem só reduzir o valor da dívida. Por isso, os filhos de Kun-hee ainda terão de doar um trilhão de wons (ou 900 milhões de dólares) para organizações da área da saúde.