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Hipopótamos de Pablo Escobar ainda são motivo de preocupação na Colômbia

Animais trazidos pelo traficante na década de 80 representam um grande perigo para o ecossistema do local; a tendência é que se reproduzam cada vez mais

Caio Tortamano Publicado em 03/02/2020, às 15h14

Hipopótamos em seu habitat natural
Hipopótamos em seu habitat natural - Wikimedia Commons

Presentes até hoje no ecossistema colombiano graças à megalomania de Pablo Escobar, mais de 80 hipopótamos alteram a química e oxigênio do rio Magdalena, que alimenta outros seres vivos como jacarés e tartarugas. O que pode ser um problema imenso para o país.

Nativos da África Subsaariana, os hipopótamos são animais de natureza agressiva, e quando o zoológico que Escobar tinha construído em sua fazenda fechou, o resgate animal não conseguiu realoca-los. 

Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, divulgada na revista científica Ecology, apontou que os excrementos dos paquidermes funcionam como um fertilizante intenso, fazendo com que algas e bactérias se proliferem com maior facilidade nas águas. O resultado imediato é falta de oxigênio e nutrientes para seres aquáticos, tais como peixes e vegetais.

Os cientistas da universidade acompanharam a qualidade da água em que os hipopótamos viveram durante dois anos. O nível de oxigênio e a estabilidade dos isótopos — dois átomos de um mesmo elemento — foram comparadas com águas sem a presença dos animais intrusos e se percebeu a grave alteração. A tendência, para o azar da fauna e flora, é que o número de hipopótamos cresça ao longo dos anos.