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Hipótese de buraco feito por tatu gigante do passado é descartada em Barra Mansa

Pesquisadores acreditavam que buraco na encosta de um morro poderia ter sido feito na era pré-histórica

Giovanna de Matteo Publicado em 21/09/2020, às 11h43

Equipe ambiental do MEP em Barra Mansa
Equipe ambiental do MEP em Barra Mansa - MEP / Divulgação

Um buraco na encosta de um morro em Barra Mansa intrigou cientistas que iniciaram uma pesquisa local para descobrir se a área abrigava a toca de um tatu gigante. A hipótese era de que o animal pré-histórico teria construído uma paleotoca.

A descoberta foi feita pelos pesquisadores André Negrão da USP, e Renato Ramos, da UFRJ, quando notaram que a tonalidade e o formato cilíndrico do buraco na rodovia Nova Dutra (altura do Km 262, sentido Rio), em Barra Mansa.

Ao se deparar com esses fatos estranhados por eles, André contatou rapidamente Sílvia Real, mestre em Geociências e coordenadora da equipe ambiental do MEP (Movimento pela Ética na Política), que aceitou enviar ao local uma equipe de investigação.

Os Membros da equipe chegaram ao local carregando escadas e cordas que ajudaram na pesquisa do prof. André, que contou com escavações, coletas de amostras, tiragem de medidas e registros fotográficos para análise da suposta paleotoca. 

No entanto, após a pesquisa a possibilidade da paleotoca foi descartada pelo Paleontólogo Hermínio Ismael de Araújo Jr., filiado à UERJ.  “O professor Hermínio rejeitou a tese de suposta paleotoca escavada por um eventual mamífero da megafauna (tatu gigante). A hipótese foi descartada por ele por vários motivos. Segundo ele, não só pela geometria, mas também pela natureza do saprólito do gnaisse (‘rocha podre’) no entorno da feição. Araújo Jr. relatou-me que os mamíferos não escavariam esse tipo de rocha”, contou o geólogo Negrão, líder da pesquisa, e ainda acrescentou que não se sabe a origem do buraco: "pode ter sido uma espécie de cacimba, poço, formigueiro, ou uma escavação".