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Há 2 500 anos, maias “lavavam a alma” com banhos de sauna

Encontrado na Guatemala, complexo de saunas era utilizado por prazer, saúde e religião

sexta 11 janeiro, 2019
Plataforma das águias em Chichen Itza, uma das grandes cidades maias
Plataforma das águias em Chichen Itza, uma das grandes cidades maias Foto:Getty Images

Há 5 anos, arqueólogos encontraram um grande complexo esculpido em rocha, no norte da cidade de Nakum, atual Guatemala. A “caverna” subterrânea foi investigada pelos estudiosos e, agora, eles chegaram à conclusão de que, na verdade, trata-se de uma espécie de sauna.

O complexo foi esculpido há 2 500 anos, e sua arquitetura foi construída do seguinte modo: no início, há um túnel esculpido em pedra que sai para a encosta, onde fluiria a água para o banho. Ao fim de um túnel de 2 metros de comprimentos, há escadas para entrada e saída. O local de banho, em formato retangular, conta com bancos de rocha nas laterais para os banhistas descansarem.

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Arqueólogos em campo J. Zralka

Segundo os pesquisadores, os maias tomavam banhos a vapor no local. Mas, para esses povos, os banhos não eram apenas uma questão de limpeza e de hierarquia social - apenas os mais ricos podiam usufruir do banho - eles eram parte de rituais sagrados.

Os maias acreditavam que, ao tomar banho de vapor, estariam limpando suas almas. As mulheres grávidas até hoje usam esse ritual para se entregar aos deuses e lavar suas almas e as de seus filhos.

O nicho servia de cadeira W. Koszkul

A explicação do co-líder das escavações, Dr. Jarosław Źrałka, do Instituto de Arqueologia da Universidade de Jagiellonian, na Polônia, é que: “Nas crenças maias, cavernas e banhos são tratados quase da mesma maneira: os lugares onde não apenas os deuses, mas também as primeiras pessoas nasceram e emergiram. Também são consideradas entradas para o submundo, o mundo habitado por deuses e ancestrais. Cavernas e banhos de vapor também foram associados com a colheita e o local de origem da água que dá vida”.

A estrutura completa Piotr Kolodziejczyk Jr.

Neste complexo, os rituais de banho a vapor funcionaram de 700 a.C., até aproximadamente 300 a.C. “Talvez tenha sido relacionado com a mudança de dinastia, que governou em Nakum, ou outras mudanças importantes na vida social e religiosa maia”, afirma PAP Wiesław Koszkul, líder das escavações.

Mariana Ribas


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