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Teste de DNA derruba uma das maiores teorias da conspiração sobre o nazismo

Teria Rudolf Hess, braço direito de Hitler, embarcado para a Escócia em uma missão secreta de paz? Ou tratava-se de um impostor?

Letícia Yazbek Publicado em 23/01/2019, às 15h03 - Atualizado às 15h57

Rudolf Hess durante um discurso, em 1937
Getty Images

Um novo estudo, liderado pelo patologista aposentado do exército dos Estados Unidos Sherman McCall, acaba de derrubar uma das teorias da conspiração mais conhecidas sobre a Segunda Guerra Mundial e o nazismo.

Nomeado vice-führer por Adolf Hitler em 1933, Rudolf Hess embarcou em uma perigosa missão em maio de 1941. Voou sozinho para a Escócia, em uma tentativa de intermediar a paz com a Grã-Bretanha. Durante todo esse tempo, a questão era: esse homem era realmente Rudolf Hess?

Diversos rumores circularam a respeito do incidente, que se tornou um dos maiores mistérios da Segunda Guerra. Muitas pessoas – incluindo Franklin Roosevelt – acreditavam que, na verdade, o homem enviado à Grã-Bretanha era um sósia de Hess, instruído a enganar os aliados por algum propósito nefasto dos nazistas. Outros acreditavam que o truque havia sido criado pelos próprios ingleses.

Hitler e Hess, em 1939 Getty Images

Rudolf Hess – ou seu sósia – foi capturado imediatamente ao chegar à Escócia. Detido, foi julgado por crimes de guerra e condenado a prisão perpétua. Passou seus últimos 40 anos na prisão Spandau, em Berlim Ocidental, onde foi encontrado morto em 1987, aos 93 anos, em um aparente suicídio.

O corpo do prisioneiro, conhecido como Spandau #7 foi cremado e, assim, passou a ser impossível saber se tratava-se de um impostor ou do verdadeiro Führer adjunto. Sem restos físicos, a teoria da conspiração não poderia ser provada nem derrubada.

Para sustentar a teoria, havia o boato de que Spandau #7 não tinha cicatrizes no peito – que Hess havia adquirido durante a Primeira Guerra – e não exibia uma lacuna nos dentes da frente, característica de Hess.

Rudolf Hess, vice-führer de Hitler Getty Images

No entanto, a prova final ainda estava por vir. Décadas após a morte do prisioneiro, pesquisadores do Centro Médico do Exército Walter Reed, em Washington, descobriram que uma amostra de sangue do prisioneiro, retirada em 1982, ainda estava armazenada no local.

“Comecei a me dar conta da existência da mancha de sangue de Hess em uma observação casual durante minha residência em patologia no Walter Reed”, disse McCall à New Scientist. “Só me dei conta da controvérsia histórica alguns anos depois”.

Hess na prisão Spandau, em 1986 Getty Images

McCall e sua equipe rastrearam um dos parentes vivos de Rudolf Hess e obtiveram dele uma amostra de saliva. Depois, compararam os marcadores de DNA com a amostra do sangue de Hess. Segundo os pesquisadores, a análise de DNA indica que há uma chance maior que 99,99% de que Spandau #7 seja de fato Rudolf Hess.

Para a equipe, o exame acabou com o mistério. “A teoria da conspiração alegando que o prisioneiro 'Spandau # 7' era um impostor é extremamente improvável e, portanto, refutada”. Os resultados foram publicados na Forensic Science International: Genetics.