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Doença do “cervo zumbi” pode contagiar seres humanos, afirma especialista

Mal que atinge animais nos EUA é semelhante ao que causou a “doença da vaca louca”, na década de 1980

Letícia Yazbek Publicado em 20/02/2019, às 16h30

Cervo com sinais de Doença Debilitante Crônica
Terry Kreeger / Chronic Wasting Disease Alliance

Batizada de Doença Debilitante Crônica (DDC), (CWD, na sigla em inglês), a doença do “cervo zumbi” vem causando grande preocupação na saúde pública dos Estados Unidos.

Os cervos, animais já agressivos diante da presença de seres humanos, estão apresentando comportamentos cada vez mais estranhos, principalmente nos estados de Wisconsin e Minnesota. Além de atacar pessoas, estão andando tropeçando pelas florestas. Muito magros, às vezes aparecem babando, e com aspecto de zumbis.

A doença é causada por príons – proteínas que, de alguma forma, se tornam infecciosas. O corpo da vítima começa a se deteriorar aos poucos, perde a capacidade de falar e se mover, e acaba morrendo.

A Doença Debilitante Crônica só afeta cervos, veados e alces. No entanto, uma doença semelhante, também causada por príons, já fez vítimas humanas. Essa variante costuma atingir pessoas mais jovens e é contraída pelo consumo de carne de animais contaminados com Encefalopatia Espongiforme Bovina, popularmente conhecida como “doença da vaca louca”.

Mas, segundo Michael Osterholm, diretor do Centro para Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, a doença do “cervo zumbi” pode afetar seres humanos. Ele lembra que, nos anos 1980, quando a “doença da vaca louca” causou o sacrifício de 4,4 milhões de animais, acreditava-se que ela não pudesse ser transmitida para humanos. No entanto, houve 178 mortes humanas devido à doença.

“Meu melhor julgamento profissional baseado na minha experiência em saúde pública e no risco de transmissão de ‘vaca louca’ para humanos nas décadas de 1980 e 1990 e a extensa revisão e avaliação de estudos de pesquisa em laboratório diz que é provável que casos humanos de Doença Debilitante Crônica associados ao consumo de carne contaminada sejam documentados nos próximos anos”, disse Osterholm ao jornal Pioneer Press. “É possível que o número de casos humanos seja substancial e que não sejam eventos isolados.

A DDC foi encontrada pela primeira vez em cervos de cativeiro, no fim dos anos 1960, no Colorado. Desde 1981, ela tem se espalhado pelos Estados Unidos, atingindo espécies selvagens. Hoje, está presente em 24 estados americanos, embora a maioria tenha baixas taxas de infecção entre as populações animais locais.