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Freira medieval forjou a própria morte para fugir de convento, revela documento

Em 1318, cansada da vida celibatária, Joan de Leeds fingiu uma doença mortal e criou um manequim para substituir seu corpo

Letícia Yazbek Publicado em 13/02/2019, às 14h28 - Atualizado às 15h06

Freira forjou a própria morte para fugir de convento, em York
Getty Images

Uma equipe de pesquisadores medievais, que examina os arquivos da Universidade de York, encontrou evidências de que uma freira, chamada Joan, forjou a própria morte para escapar do convento de São Clemente, em York, no século 14.

Uma nota escrita em latim, escondida em um dos 16 pesados registros usados pelos arcebispos de York entre 1304 e 1405, chamou a atenção dos especialistas. O recado, escrito pelo bispo William Melton em 1318, dizia: “Avisar Joan de Leeds, freira da casa de São Clemente de York, que ela deve voltar para casa”.

Melton escreveu ainda que Joan “descaradamente deixou de lado a religião e a modéstia de seu sexo [...] ela tinha uma mente maliciosa, que a levou a simular uma doença e que, não temendo pela saúde de sua alma, construiu um manequim com a ajuda de inúmeros cúmplices e malfeitores”.

Gary Brannan e Sarah Rees Jones examinam um dos registros dos arcebispos/ Universidade de York

Joan de Leeds era uma freira e residente do convento de São Clemente nos primeiros anos do século 14. Em 1318, cansada da vida no convento, fingiu uma doença mortal e criou um manequim para substituir seu cadáver. Acreditando – ou fingindo a acreditar – que Joan estava morta, várias freiras enterraram o manequim, com os ritos católicos completos.

Os motivos pelos quais Joan decidiu fugir são desconhecidos. No entanto, para Melton a freira “virou as costas à decência e seguiu uma vida de luxúria carnal”.

Segundo a professora Sarah Rees Jones, líder do projeto, a história da fuga de Joan é “extraordinária, como uma esquete de Monty Python”. No entanto, os pesquisadores não descobriram se Joan voltou ao convento. “Infelizmente, e isso é realmente frustrante, não sabemos o resultado do caso”.

Jones lembra que há muitos casos de monges e freiras que fugiram de suas casas religiosas, seduzidos pela vida fora delas. “Nem sempre conseguimos todos os detalhes ou sabemos qual foi o desfecho”.


Com informações de Guardian e Irish Times