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Manuscrito do filósofo John Locke, que discute tolerância religiosa, é encontrado em faculdade

O texto foi escrito antes da famosa “Carta sobre a Tolerância” e inicia a formação de pensamentos fundamentais da democracia liberal ocidental

Isabela Barreiros Publicado em 05/09/2019, às 15h00

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Stock Montage/Getty Images

JC Walmsley, um estrategista de negócios em Londres e pesquisador do filósofo John Locke, encontrou na Internet um acervo de um revendedor de livros que continha um texto, até então, desconhecido do iluminista. Atualmente, “Razões para tolerar os papistas igualmente com os outros", c.1689 está no St. John's College, em Annapolis, nos Estados Unidos.

O manuscrito pertencia aos descendentes de um dos amigos do filósofo até 1920, quando ele foi vendido, em leilão, ao negociador de livros Maggs Bros. Algum tempo depois, foi doado para a biblioteca da universidade estadunidense.

Crédito: St John’s College, Annapolis

 

De acordo com Walmsley, isso muda a visão que havia a respeito da intolerância social de Locke. “Todo o seu trabalho publicado sugeriu que ele nunca consideraria isso como uma possibilidade. Este manuscrito mostra-o assumindo uma posição inicial que é surpreendente para ele e para os pensadores de seu tempo. Isso mostra que ele é muito mais tolerante em certos aspectos do que se supunha anteriormente”, disse.

Além disso, como o texto descoberto foi escrito em um período anterior à “Carta sobre Tolerância”, muitas das ideias contidas na carta já estavam sendo propostas pelo iluminista em “Razões para tolerar os papistas igualmente com os outros". "Este manuscrito é a origem e o catalisador de ideias importantes e fundamentais da democracia liberal ocidental — que incluem católicos".