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Há 3 mil anos, antiga civilização do Irã reconhecia pessoas transgênero

Estudo indica que havia três diferentes conjuntos de enterros na Idade do Ferro: para homens, mulheres e um “terceiro gênero”

Alana Sousa Publicado em 02/01/2019, às 13h37 - Atualizado em 03/01/2019, às 15h59

Símbolo da igualdade transgênera
Getty Images

Uma civilização da Pérsia pode ter abraçado a diversidade reconhecendo a existência de um terceiro gênero, além de “masculino” e “feminino”, há 3.000 anos. É o que aponta um estudo realizado em objetos funerários encontrados nos enterros do povo de Hasanlu, noroeste do Irã.

A historiadora de arte da Faculdade Manhattanville Megan Cifarelli explicou, em entrevista ao jornal Haaretz, que o processo de descoberta dos gêneros pode ser definido a partir da morfologia do esqueleto ou artefatos encontrados no enterro. Para isso, ela examinou centenas de objetos encontrados em 51 túmulos em Hasanlu.

Um conjunto de artefatos incluía agulhas, alfinetes de vestuário e jóias, e estava associado a esqueletos biologicamente identificados ​​como femininos, segundo seus dados. Já outro conjunto, formado por objetos como vasos de metal, armas e armaduras, estava fortemente relacionado a esqueletos masculinos.

O que se destacou em sua pesquisa foi a descoberta de que cerca de 20% dos enterros mostravam um terceiro grupo de objetos com combinações incomuns de artefatos, de tipos que acompanhavam esqueletos de ambos os sexos. Um exemplo apresentado por Cifarelli é de um túmulo masculino, que em seu conjunto de artefatos havia uma ponta de flecha, tradicionalmente considerada um artefato masculino, e um broche de vestuário, que na cultura de Hasanlu é o item feminino mais forte que existe.

De acordo com a historiadora, sua teoria não é completamente certa, mas as probabilidades de afirmar que essa civilização reconhecia pelo menos 3 gêneros diferentes são grandes. Não se pode definir o papel que essas pessoas transgêneras desenvolviam na sociedade, devido ao fato que o povo de Hasanlu não escreveu e nos deixou poucas informações sobre si mesmos.

“Meu ponto é que existe esse enorme alcance, flexibilidade e fluidez no mundo, e devemos reconhecê-lo”, diz Cifarelli. Se as pessoas da Idade do Ferro que não tinham escrita puderam adotar a diversidade, talvez todos nós devêssemos também.