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Novo templo descoberto em Jerusalém questiona veracidade de textos bíblicos

“Nossas descobertas até agora mudaram fundamentalmente a maneira como entendemos as práticas religiosas, afirmou Oded Lipschits, pesquisador da Universidade de Tel Aviv e responsável pela escavação

Alana Sousa Publicado em 07/02/2020, às 09h00

Visão superior do Templo de Tel Motza
Visão superior do Templo de Tel Motza - Universidade de Tel Aviv

Em 2012 foi encontrado, em Tel Motza, um edifício da Idade do Ferro, datado entre 10 e 9 a.C., entretanto, apenas em 2019 uma escavação profissional foi realizada no local, revelando, então, a descoberta de que o monumento se tratava, na verdade, de um templo religioso. A novidade coloca em dúvida textos bíblicos, que afirmavam que existia apenas um centro para orações, o Templo de Salomão.

A região fica perto de Jerusalém e foi identificada pelos arqueólogos como a cidade bíblica de Motza. Os resultados da expedição foram divulgados no portal acadêmico, Biblical Archaeology Review Professor.

Estátuas em forma humana / Crédito: Universidade de Tel Aviv

 

A escavação, liderada por Shua Kisilevitz e Oded Lipschits, da Universidade de Tel Aviv — uma das maiores universidades de Israel — encontrou também artefatos religiosos que ajudaram os pesquisadores a chegar a conclusão de que aquelas ruínas teriam sido um templo, de quase 3 mil anos. Entre os objetos encontrados, havia estátuas de cavalos e humanas, uma decoração com dois leões, uma cova e, ainda, um altar de pedra. “Nossas descobertas até agora mudaram fundamentalmente a maneira como entendemos as práticas religiosas”, disse Lipschits.

“Ficou claro que templos como o de Motza não só poderia, mas também deve ter existido durante a maior parte do período do Ferro como parte da construção religiosa oficial sancionada pela realeza”, ainda que existisse o Primeiro Templo (de Salomão), que seria o oficial, o centro de Tel Motza funcionaria como um local secundário, ainda que de grande relevância.

Estátua de cavalo encontrada na escavação / Crédito: Universidade de Tel Aviv

 

Para os pesquisadores a razão de existir mais de um templo é simples: atender a demanda de uma “comunidade em crescimento”. Sobre o Templo de Motza, os estudiosos especulam que ele era “o empreendimento de um grupo local, inicialmente representando várias famílias extensas ou talvez aldeias que se uniram para reunir seus recursos e maximizar a produção e o rendimento”.