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Entenda como o pai do atual Ministro das Relações Exteriores ajudou um nazista no Brasil

O pai de Ernesto Araújo, ministro do governo atual, dificultou a extradição do nazista aos países que queriam julgá-lo

Mariana Ribas Publicado em 18/02/2019, às 15h00

Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo atual, Ernesto Araújo
Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo atual, Ernesto Araújo - Wikimedia Commons

Ariano de "raça pura" e sargento da SS, Gustav Franz Wagner, conhecido também como "O sádico de sangue frio", "Lobo" ou "A besta", foi responsável pela morte de mais de 250 mil judeus no campo de concentração de Sibibórna Polônia. E a história de Wagner está ligada diretamente ao Brasil.

Essa ligação teve efeito graças a Henrique Fonseca de Araújo, Procurador Geral da República durante a Ditadura Militar no Brasil e pai do atual Ministro dos Negócios Estrangeiros, Ernesto Araújo, que ajudou Gustav Wagner em seu processo de julgamento, segundo uma recente reportagem da Folha de São Paulo.

Wagner, após o fim do regime nazista, foi julgado e condenado à morte, mas conseguiu fugir para o Brasil. Em 1950, já tinha passaporte e residência brasileira com um nome Günther Mendel. Em 1978, escondido e com nome falso, Wagner foi descoberto e exposto por Simon Wiesenthal, um ativista judeu sobrevivente do holocausto, enquanto comemorava o aniversário de Hitler.

Henrique Fonseca de Araújo
Reprodução

Vários países como Polônia, Áustria, Alemanha e Israel, fizeram pedidos da extradição do nazista, mas os pedidos foram parar nas mãos do pai do atual ministro e ele recusou todas as extradições, facilitando a vida do nazista. 

Em 1980, Wagner suicidou-se com uma facada no peito. Antes, disse em uma entrevista à BBC: “Eu não tinha sentimentos... Acabou se tornando outro trabalho. À noite, nunca discutíamos o nosso trabalho, apenas bebíamos e jogávamos cartas”.

O atual Ministro, que já defendeu publicamente que a mudança climática é apenas uma "trama comunista", comentou em seu blog sobre o assunto dizendo que seu pai o criou “no conhecimento dos horrores tanto do nazismo quanto do comunismo” e que sempre teve “respeito à lei, no amor ao próximo e no amor à pátria, no apego ao trabalho e na fé em Jesus Cristo.”


Saiba mais

A Operação Reinhard Campos de Morte, Yitzhak Arad, Indiana University Press, 1987.