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Historiadora identifica última escrava africana sobrevivente a ser traficada para os EUA

Matilda McCrear viveu até os 83 anos de idade, guardando em segredo o seu passado de sofrimento

Vanessa Centamori Publicado em 25/03/2020, às 10h10

Matilda McCrear, a última sobrevivente do tráfico negreiro dos Estados Unidos
Matilda McCrear, a última sobrevivente do tráfico negreiro dos Estados Unidos - Divulgação

A historiadora Hannah Durkin, da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, identificou que Matilda McCrear foi a escrava africana que teve o maior tempo de vida após o tráfico negreiro, que transportava escravos da África até os Estados Unidos, durante o século 19. 

Primeiramente, um outro estudo conduzido por Durkin havia apontado que a última sobrevivente seria uma mulher chamada Redoshi Smith, que faleceu em 1937. Mas agora a historiadora descobriu que esse não é o caso: na verdade, McCrear viveu três anos a mais do que Smith.  

McCrear morreu em janeiro de 1940, aos 83 anos de idade, no estado do Alabama, em Selma. Ela foi capturada por traficantes de escravos no oeste da África, quando tinha apenas 2 anos de idade. 

Ela chegou no Alabama em 1860, junto de sua mãe, Grace, e a irmã, Sallie, viajando a bordo de um navio transatlântico que transportava escravos. A família foi comprada por um rico proprietário de plantações, chamado Memorable Creagh. 

Navio que trouxe mais de 100 escravos para o Alabama, EUA, em 1860 / Crédito: Divulgação 

 

Segundo a historiadora, famílias como as de McCrear tiveram que enfrentar muitas perdas e as dores da separação. No caso, quando a família chegou aos Estados Unidos, dois dos filhos - e também o pai - haviam sido deixados na África.

Dores da escravidão

Também foi descoberto que McCrear e sua irmã foram vendidas pra outro senhor no Alabama, sendo separadas da mãe. A família só conseguiu liberdade após a abolição da escravatura, em 1865, mas mesmo assim ainda tiveram que trabalhar no meio rural. 

De acordo com Durkin, a história de McCrear é notável, pela resistência que ela mostrou nos anos após sua emancipação. Conforme contou a historiadora, ao canal BBC, a ex-escrava teve um casamento de direito comum com um alemão, que provavelmente era judeu. 

Dessa maneira, o relacionamento do casal atravessou barreiras como raça, classe e religião. Ela também tinha orgulho de suas raízes e vestia sempre um penteado africano tradicional, no estilo Yoruba, além de marcas faciais tradicionais da África. 

O neto de Durkin, que tem 83 anos de idade, não sabia nada sobre o passado da avó. Na década de 1960, ele testemunhou atos de violência contra ativistas em Selma, onde os protestantes eram referenciados por Martin Luther King. Quando a verdade sobre a avó veio à tona, ele contou que sentiu um mix de emoções. "Pensei que se minha vó não tivesse superado o que ocorreu, eu não estaria aqui", afirmou. 


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