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Histórias sobre refugiados judeus em Xangai marcam pré-abertura do Museu Judaico em São Paulo

Em parceria com o Shangai Jewish Refugees Museum, a mostra traz ao público documentos históricos dos europeus que foram obrigados a fugirem das atrocidades do Holocausto na Segunda Guerra Mundial

Fabio Previdelli Publicado em 27/11/2019, às 13h10

Judeus refugiados desembarcando do navio
Judeus refugiados desembarcando do navio - Divulgação Museu Judaico de São Paulo

Com a eclosão do movimento nazista na década de 1930, muitos judeus passaram a ser perseguidos pelo desejo de aniquilação de Adolf Hitler. Nesse mesmo período, muitos judeus alemães e austríacos conseguiram escapar das perseguições nazistas.

Entretanto, depois de algum tempo, países europeus vizinhos declararam a suspensão de vistos para esses refugiados, assim como, os Estados Unidos limitaram as cotas de entradas no país para 25 mil pessoas por ano.

Visto esse cenário, restavam poucos lugares no mundo dispostos a acolherem os judeus. Um desses países foi a China, que viu muito deles se mudarem para Xangai. Estima-se que mais de 23 mil judeus conseguiram sair da Alemanha em direção ao país asiático.

Eles permaneceram lá até pouco depois do fim da Segunda Guerra — por volta dos anos 1947 e 1948 — quando saíram de Xangai com o objetivo de encontrarem suas famílias, que se refugiaram em outros lugares do globo, como na Austrália, Palestina e até mesmo cinco delas vieram para o Brasil.

Porém, apesar dessa curta passagem, eles deixaram uma cultura muito rica pela cidade asiática, além de ficarem marcados como um ponto de resistência contra os horrores do fascismo.

Judeus refugiados e seus vizinhos chineses no mercado East Yuhang Road, Hongkou / Crédito: Divulgação Museu Judaico de São Paulo

 

Agora, toda essa história de luta e resistência contra as atrocidades fascistas poderá ser conhecida mais afundo por todos os paulistanos. Isso por que, a partir de hoje, dia 27, o Museu Judaico de São Paulo apresentará a exposição ‘Judeus e Xangai: Famílias europeias refugiadas, nas décadas de 1930 e 1940’.

Em parceria com o Shangai Jewish Refugees Museum — que cedeu réplicas de documentos e fotografias das famílias refugiadas que vivem no Brasil — a mostra gratuita traz ao público 42 painéis que contam um pouco desse importante e solidário momento, e, também, a apresentação de dois filmes que irão contar um pouco dessas emocionantes histórias.

Visto de viagem para Nanking de Lotte Cohn Xangai, China, 1946/1947 / Crédito: Fabio Previdelli/ Aventuras na História

 

Além disso, o Museu fará ações educativas, oficinas, teatralização, música e atividades paras as crianças que visitarem a exposição, que estará aberta ao público até dia 27 de janeiro, de terça à domingos, das 10 às 16 horas, sem a necessidade de agendamento prévio.

Roberta Sundfeld, diretora executiva do Museu Judaico em São Paulo e curadora de exposições, fala um pouco mais sobre esse projeto: “Eu acho que essa exposição é fundamental por ser a primeira que está sendo feita aqui no Museu. Ela é uma exposição internacional na qual os chineses manifestaram o interessem em vir pra cá. Eles reconheceram aqui como um espaço museológico que possa representar os judeus como um todo. Eu vejo isso como algo muito importante”.

Uma coletiva de imprensa na manhã da última terça-feira, 26, marcou a abertura da exposição de forma extraoficial para convidados. Entre eles, estavam presentes Chen Peijie, Consul Geral da China, e Song Yang, cônsul-geral da China em São Paulo.

Crônica Judaica de Xangai / Crédito: Fabio Previdelli/ Aventuras na História

 

“Durante a década de 30 e 40 do século passado, Xangai era um lugar de alegria para o povo judeu. Agora [com a inauguração da exposição] a cidade de São Paulo também é um motivo de orgulho para essa comunidade. Estamos juntando todo o esforço para fazer nossa contribuição de espaço tão importante para esses dois povos”, declarou Chen Peijie.

Já Song Yang vê a exposição como uma maneira de fortalecer o conhecimento cultural e a amizade entre Brasil e China. “A exposição de permite com que as pessoas entendam melhor toda essa história. Ela [a exposição] deixa uma memória significativa para todos. É importante para entendermos como a paz é importante para nós”.

Fachada do Museu Judaico de São Paulo / Crédito: Fernando Siqueira

 

Serviço: Judeus e Xangai: Famílias europeias refugiadas, nas décadas de 1930 e 1940 Local: Museu Judaico em São Paulo - Rua Martinho Prado, 128 – Bela Vista
Visitação: até 27 de janeiro
Classificação etária: livre
Dias e horários: de terça a domingo, das 10h às 16h
Preço: entrada gratuita.