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Homem muçulmano é o primeiro detido de lei anti-conversão religiosa na Índia

De acordo com a polícia de Uttar Pradesh, o rapaz é acusado de ameaçar a companheira para se converter ao islamismo

Wallacy Ferrari Publicado em 03/12/2020, às 12h56

Imagem ilustrativa de um casamento hindu
Imagem ilustrativa de um casamento hindu - Pixabay

O primeiro homem a ser enquadrado pela lei de conversão religiosa forçada foi preso na última quarta-feira, 2, de acordo com o perfil da Polícia do Distrito de Bareilly, em Uttar Pradesh, via Twitter.

A lei foi instaurada em 25 de novembro para evitar com que casamentos anulem o direito de escolha religiosa.

Apelidada de “jihad do amor” — termo que grupos hindus radicais usam para acusar os homens muçulmanos de converter mulheres hindus pelo casamento — a prática era comum nos países asiáticos, de maneira que o casamento inter-religioso não fosse malvisto pela comunidade local.

A medida, entretanto, gerou indignação de críticos islâmicos, que apontam islamofóbica do partido criador da lei.

De acordo com a BBC, a identidade do casal não foi divulgada, porém, a família da mulher foi contatada pelo órgão jornalístico, o homem "pressionou" a garota para que se convertesse e a ameaçou se ela não se convertesse.

A nova lei acarreta pena de prisão de até 10 anos e os crimes previstos na mesma são inafiançáveis.

A lei anti-conversão foi instaurada pelo partido nacionalista hindu, que atualmente está no poder na Índia. O decreto, válido apenas no estado de Uttar Pradesh — o mais populoso do país — compreende que a conversão religiosa com a predominância masculina não garante o direito à religião de cada pessoa, instaurando a proibição da transição forçada.