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Homem pode ser condenado por causar convulsão em jornalista que criticou Donald Trump

Segundo a Fundação de Epilepsia, crimes digitais direcionados a pessoas com essa condição já somam mais de 30 casos

Isabela Barreiros Publicado em 18/12/2019, às 16h19

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Getty Images

Em dezembro de 2016, o jornalista estadunidense Kurt Eichenwald foi vítima de um episódio que poderia ter resultado em sua morte, caso sua esposa não tivesse o encontrado em seu quarto. John Rayne Rivello, veterano das Forças Armadas enviou um GIF que continha gatilhos para a condição de epilepsia do repórter após ele fazer críticas ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

As formas geométricas vermelhas, amarelas e azuis foram responsáveis por causar uma convulsão em Eichenwald, que teve a parte esquerda do seu corpo paralisada devido à provocação. Pelo Twitter, o militar mandou a imagem animada com uma mensagem dizendo que ele "merecia ter seu fígado bicado por um bando de emus".

Rivello ainda expos seu intuito a outros usuários da rede, escrevendo a um "espero que isso cause uma convulsão nele", “vamos ver se ele morre”, a outro, e ainda “eu sei que ele tem epilepsia".

O caso foi parar no Tribunal de Dallas, no Texas, Estados Unidos, mas a sessão que julgará a ocorrência foi adiada da última segunda-feira, 16, para o começo do ano que vem. A defesa do acusado afirma que isso seria uma limitação à liberdade expressão do veterano, constando na Primeira Emenda da Constituição dos EUA. No entanto, juristas da Universidade de Duke disseram que o envio de GIFs não consta na Constituição.

A conta do iCloud do norte-americano ainda foi analisada pelo FBI para completar a investigação. Nela, foi possível observar que Rivello procurava pelo nome de Einchewald no Google e no Wikipédia e também possuía referências antissemitas. Um grupo neonazista entrou em contato com a história e ainda começou um processo de financiamento para bancar sua defesa.

"Esses ataques não são diferentes de uma pessoa entrando com uma luz estroboscópica em uma convenção de indivíduos com epilepsia com a intenção de causar convulsões", disse Allison Nichol, diretora da Fundação de Epilepsia, ao jornal The Washington Post. Segundo a organização, mais de 30 pessoas com a condição já foram vítimas dessas ações propositais.

"Ainda que essa população seja pequena, os impactos podem ser muitos sérios. Muitos não sabem sequer que eles são fotossensíveis até que tenham uma convulsão”, conclui Jacqueline French, também da entidade em questão e professora da Universidade de Nova Iorque.