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Homem torturado na China se torna testemunha em Tribunal Internacional

Ovalbek Turdakun é um sobrevivente dos campos de detenção chineses

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 13/04/2022, às 11h37

Ovalbek Turdakun e sua família em viagem para os Estados Unidos
Ovalbek Turdakun e sua família em viagem para os Estados Unidos - Divulgação/ Arquivo Pessoal

Ovalbek Turdakun recentemente chegou aos Estados Unidos como imigrante, o que significa que enfim está seguro do governo chinês. 

Antes disso, o homem estava no Quirguistão, porém o país não havia renovado seu visto, de forma que Turdakun vivia com medo de ser deportado de volta para a China, sua terra natal e o lugar onde foi vítima de tortura.

O cristão foi um dos muitos prisioneiros dos campos de detenção de Xinjiang, que é uma região chinesa. Segundo informações repercutidas pelo The Guardian, o chinês de etnia quirguiz foi detido em 2018 sem passar por nenhum julgamento. 

Em seguida, ele foi submetido a longos interrogatórios enquanto estava amarrado a um dispositivo conhecido como "cadeira de tigre", que obriga a pessoa a ficar em uma posição desconfortável. Toda vez que se movia, era eletrocutado. 

Mais tarde, Turdakun ainda teria sido injetado com uma substância que fora descrita pelos guardas como uma "vacina", porém que o deixou gravemente doente. Ele experienciou dores intensas no corpo e no ouvido, de onde também escorria um líquido amarelo (alguns dos companheiros de cela do homem chegaram a ficar surdos), e o episódio lhe deixou com dificuldade para andar durante meses. 

Agora, o sobrevivente está para se tornar uma testemunha fundamental no Tribunal Penal Internacional (TPI), onde autoridades globais pretendem processar a China por crimes contra a humanidade, conforme o portal Axios. 

Um detalhe curioso é que a maioria das pessoas presas nos campos de detenção de Xinjiang eram muçulmanos da etnia uigur, enquanto Turdakun é um cristão quirguiz.

Vale mencionar aqui que a justificativa do governo chinês para a existência dos locais era a desradicalização de membros de grupos extremistas islâmicos. Dessa forma, o caso do homem recém-chegado aos EUA não apenas coloca a alegação em cheque, como também desperta maiores especulações sobre o processo de seleção dos prisioneiros enviados a Xinjiang.