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A homossexualidade de Michelangelo: um controverso segredo pintado no renascimento

Em 1532, um rapaz teria roubado o coração do grande artista renascentista, que foi descrito como dotado “não apenas de beleza física incomparável, mas elegância nas maneiras, na inteligência e no comportamento gracioso”

Vanessa Centamori Publicado em 06/03/2020, às 11h03

Visão do teto da Capela Sistina, pintado por Michelangelo
Visão do teto da Capela Sistina, pintado por Michelangelo - Wikipedia Commons

Historiadores acreditam que pistas que revelam a orientação sexual do artista renascentista Michelangelo estão escondidas em suas obras-primas. A teoria mais difundida é a de que ele era homossexual, no entanto, um debate nebuloso sobre o assunto se estende há séculos: afinal, o gênio era ou não gay? 

A dúvida vem do fato de não haverem registros claros de uma vida sexual ativa do artista italiano. Um de seus primeiros biógrafos, o pintor Ascanio Condivi, relatou que Michelangelo sempre se manteve casto. 

Por outro lado, as obras detalhadas de nus masculinos, feitas pelo mestre do renascimento, deixam essa informação questionável. Um exemplo usado para indicar que o artista não era heterossexual é uma de suas esculturas mais famosas, que retrata de modo musculoso e atraente o personagem bíblico David, responsável por derrotar o gigante Golias. 

Escultura "David", de Michelangelo, mede  5,17 metros de altura / Crédito: Wikipedia Commons 

 

Muito se acredita que o cuidado com as formas do corpo humano foi a forma de Michelangelo expressar interesses eróticos reprimidos. Isso aconteceria também com a emblemática obra-prima “A Criação de Adão”, que ornamenta a Capela Sistina, no Vaticano. 

"A Criação de Adão", obra feita por Michelangelo, é rica em traços anatomicos Crédito: Wikipedia Commons 

 

Guias turísticos do local contam aos visitantes que o teto da Capela, concluído em 1541, não apenas mostra a visão de Michelangelo do Juízo Final bíblico, mas inclui também detalhes pouco visíveis de beijos gays , dados tanto entre as almas condenadas, à esquerda, quanto entre os anjos, à direita.

Teto da Capela Sistina com seus minúsculos detalhes / Crédito: Wikipedia Commons 

 

Em torno de 1532, Michelangelo teria se apaixonado por um homem,  o nobre romano Tommaso de Cavalieri. Ele foi descrito pelo historiador Benedetto Varchi como um rapaz de “não apenas beleza física incomparável, mas elegância nas maneiras, na inteligência e no comportamento gracioso”. 

O pintor nunca teria se relacionado sexualmente com de Cavalieri, que se casou em 1538 e teve dois filhos. Mas, cultivava um amor escondido pelo homem. Tal fascinação foi registrada em obras de arte, como “O Rapto de Ganimedes”, de 1532, e em inúmeros poemas. 

Em 1632, o bisneto de Michelangelo reescreveu as poesias trocando os pronomes masculinos por femininos. Assim, era como se eles tivessem sidos escritos por uma mulher- disfarçando qualquer indício de homossexualidade. A história sobre as alterações dos escritos só foi revelada depois, pelo crítico literário gay John Addington Symonds, que traduziu as obras em 1893.