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Human Rights Watch pede por investigação de envolvidos na operação do Jacarezinho

Segundo pesquisador da organização internacional, "existem múltiplas evidências de violações muito graves dos direitos humanos na operação” realizada no último dia 06 de maio

Pamela Malva Publicado em 31/05/2021, às 12h40

Imagem meramente ilustrativa de viatura policial
Imagem meramente ilustrativa de viatura policial - Divulgação/Pixabay

No dia 06 de maio, a população da Favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi abalada por uma operação policial que resultou em 28 mortes. Agora, um novo relatório da Human Rights Watch, organização internacional que defende os direitos humanos, pede que o Ministério Público (MP) do estado investigue o episódio.

Com 10 páginas objetivas, o documento foi enviado para a Procuradoria-Geral da República pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e examinou a operação detalhadamente. Assim, foram analisados os registros de ocorrência, os documentos hospitalares, os depoimentos das testemunhas e, por fim, as fotos e vídeos das vítimas da ação.

Com todas as evidências em mãos, o relatório determinou que existem indícios graves de violação dos direitos humanos na operação policial, segundo o G1. Dessa forma, a organização pede que o MP investigue não apenas a ação, cujo objetivo era cumprir 21 mandados de prisão, como também os policiais envolvidos e a cúpula da Polícia Civil.

"Existem múltiplas evidências críveis de dilações muito graves de direitos humanos na operação”, explicou César Muñoz, pesquisador do Human Rights Watch. “Inclusive, pessoas relataram perante um juiz que elas viram como a polícia executou pessoas.”

“Também tem relatos de pessoas que foram agredidas pela polícia gravemente e a evidência de que a polícia destruiu provas”, contou Muñoz. “Ela removeu corpos do lugar dos tiroteios com o objetivo de dificultar a investigação. Isso é extremamente grave.”

Fotografia do episódio no Jacarezinho / Crédito: Divulgação/ Redes sociais

 

O problema é que, segundo a organização, os 21 mandados não justificam a operação, que foi classificada como tendo um alto risco de letalidade. “Uma operação que tem como objetivo prender membros de baixo escalão de uma facção criminosa não pode ser considerada como um caso excepcional”, pontuou o pesquisador.

“Não é uma operação excepcional e de fato vamos ver o resultado. Primeiro, 28 mortes. E segundo, o grupo criminoso que estava lá, supostamente já não está? Foi desmantelado? Não foi”, questionou Muñoz, categórico. “O resultado foi a prisão de três pessoas desses mandados de prisão que supostamente são membros de baixo escalão do tráfico e que já devem ter outras três pessoas ocupando o lugar.”

Dessa forma, o novo relatório afirma que o Ministério Público deve investigar até mesmo quem comandou, planejou e ordenou a operação, já que muitas provas acabaram destruídas durante a ação — entre outros crimes identificados pela análise.

Nesse sentido, a organização destaca que apenas 29 dos 200 oficiais envolvidos na ação foram ouvidos, sendo que suas declarações foram superficiais. Enquanto isso, apenas 26 armas utilizadas na operação foram recolhidas para análise balística e a perícia foi feita em somente três locais dos 27 homicídios cometidos pela polícia no episódio.

Em resposta ao relatório, a força-tarefa do Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou que todos os policiais da operação prestarão depoimentos em breve. A Polícia Civil, por sua vez, disse que a investigação oficial irá esclarecer a retirada dos corpos das vítimas e ainda pontuou que a Human Rights Watch deveria ter aguardado o encerramento das investigações para se manifestar publicamente sobre o caso.