Notícias » Pré-História

Idade e sexo de artistas rupestres do Paleolítico são revelados em estudo

Através de impressões digitais encontradas na Espanha, pesquisadores conseguiram identificar quem estava por trás de uma pintura criada há quase 6 mil anos

Alana Sousa Publicado em 14/09/2020, às 12h00

Pintura criada em Los Machos, na Espanha
Pintura criada em Los Machos, na Espanha - Divulgação/Francisco Martínez-Sevilla

Um novo estudo, publicado na renomada revista Antiquity, revelou a idade e o sexo de dois artistas da Pré-História. As análises foram realizadas por uma equipe com cientistas da Universidade de Granada, da Universidade de Durham e da Universidade Autônoma de Barcelona.

A descoberta se deu após os pesquisadores estudarem impressões digitais encontradas em uma arte rupestre na rocha de Los Machos, ao sul da Espanha. A obra, criada entre os anos 4.500 e 2 mil a.C., foi pintada a dedo e apresenta traços, círculos, formas geométricas e figuras humanas.

Os especialistas conseguiram, a partir dos vestígios de impressões, identificar quem foram os possíveis autores. Um deles seria um homem, com cerca de 36 anos, e uma jovem mulher, que tinha entre 10 e 16 anos, do Período Paleolítico (que durou até o ano 10 mil a.C.).

 A impressão digital pré-histórica analisada / Crédito: Divulgação/Francisco Martínez-Sevilla

 

A pesquisa é uma das poucas que busca apresentar detalhes além da pintura em si que, na maioria das vezes, é o alvo principal dos estudos. Sobre isso, os autores relatam: “O verdadeiro valor da arte rupestre está em como ela representa uma expressão direta dos processos de pensamento das pessoas que a criaram. Esses indivíduos muitas vezes faltam nas discussões sobre locais de arte rupestre”.

O artigo ainda levanta a hipótese de que as impressões digitais poderiam pertencer a outros membros da comunidade, que estariam presentes no momento que a pintura foi criada — algo que é considerado um hábito comum.

Além de trazer à tona um relevante fator sobre a criação da arte rupestre, os cientistas afirmam que o estudo “poderia revelar dimensões sociais complexas em outros locais de arte rupestre em todo o mundo”.