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Imagem de galáxia semelhante à Via Láctea, a mais de 12 bilhões de anos-luz da Terra, é capturada por astrônomos

Registro da galáxia batizada de SPT0418-47 revela detalhes sobre a origem do Universo

Fabio Previdelli Publicado em 13/08/2020, às 10h30

Galáxia SPT0418-47
Galáxia SPT0418-47 - Divulgação: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Rizzo et al.

Um estudo publicado na revista Nature nesta quarta-feira, 12, fruto de uma parceria entre o Observatório Alma (Chile) e o Observatório Europeu do Sul (ESO), revelou a imagem de uma galáxia semelhante à Via Láctea.

Batizada de SPT0418-47, o conjunto de estrelas está a uma distância de mais de 12 bilhões de anos-luz da Terra, o que significa que o registro dá conta de quando o Universo tinha apenas 1,4 bilhão de anos.

De acordo com os cientistas, o sistema não é turbulento como os demais que surgiram após o Big Bang. "Este resultado representa um avanço no campo da formação de galáxias, mostrando que as estruturas que observamos em galáxias espirais próximas e em nossa Via Láctea já existiam 12 bilhões de anos atrás", explica Francesca Rizzo, doutoranda no Instituto Max Planck de Astrofísica (Alemanha) e uma das autoras da pesquisa.

Apesar da SPT0418-47 não ter “braços” espirais como a Via Láctea, as duas possuem, ao menos, duas características iguais: um disco que gira em torno do próprio eixo e um aglomerado de estrelas compactado ao redor da galáxia chamado “protuberância”. Essa é a primeira vez que tal formação é vista em um sistema tão novo.

Estudo como a da SPT0418-47 ajudam os pesquisadores a entenderem o desenvolvimento e evolução dessas estruturas desde a formação do Universo até os dias atuais. "A grande surpresa foi descobrir que essa galáxia é bastante semelhante às galáxias próximas, ao contrário de todas as expectativas dos modelos e observações anteriores", comentou o coautor Filippo Fraternali. Entretanto, apesar das semelhanças, a nova galáxia pode ter se desenvolvido de uma outra maneira.

Agora, o próximo passo a ser dado, deve ser a analise de se galáxias circulares como a SPT0418-47 são comuns no Universo — o que abrirá novos olhares para pesquisas sobre a evolução dessas estruturas espaciais.