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Impedido de fazer eutanásia, homem irá transmitir morte ao vivo no Facebook

Ele sofre de uma doença incurável, e a decisão veio após o presidente francês, Macron, dizer que não poderia fazer nada por ele

Ingredi Brunato Publicado em 05/09/2020, às 09h34

Imagem representativa de uma seringa com substância mortal
Imagem representativa de uma seringa com substância mortal - Divulgação/ Flickr

Alan Cocq é um homem francês de 57 anos que decidiu transmitir sua morte ao vivo no Facebook, após ter uma eutanásia negada. O acontecimento terá início nesse sábado, 5. Ele sofre de uma doença degenerativa rara que sequer possui um nome, e atua causando insuficiência de circulação sanguínea em diversos tecidos e órgãos de seu corpo. 

Sentindo dores intensas nos últimos 34 anos de sua vida, além de ser vítima de descargas elétricas a cada dois ou três segundos, ele decidiu enviar uma carta ao presidente, Emmanuel Macron, pedindo que permitisse a um médico lhe prescrever barbitúrico, de forma que pudesse “partir em paz”. 

O presidente francês, contudo, não concordou com a decisão: “como não estou acima da lei, não posso concordar com sua exigência”. Foi então que Cocq decidiu parar de comer e se hidratar até que viesse a falecer. 

“Decidi dizer chega. Meus intestinos esvaziam em uma bolsa. Minha bexiga esvazia em uma bolsa. Não posso me alimentar, então eles me alimentam como um ganso, com um tubo no meu estômago. Não tenho mais uma vida decente”, contou ele à agência de notícias AFP. 

Sua proposta, ao transmitir o fim doloroso em sua página do Facebook, é “mostrar aos franceses qual é a agonia imposta pela lei”. Ele estima que demorará entre quatro e cinco dias para afinal ter a partida pela qual tanto deseja, e espera que seu ato contribua para uma legislação francesa mais humana no futuro.