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Importante cantor etíope Hachalu Hundessa é assassinado a tiro na capital do país

Membro da etnia oprimida do primeiro-ministro — e Nobel da Paz — que assumiu em 2018, sua morte pode ter sido motivada por questões políticas

André Nogueira Publicado em 30/06/2020, às 09h00

Hachalu em clipe da música Maalan Jira!
Hachalu em clipe da música Maalan Jira! - Divulgação/Youtube/Oromp3

O popular músico Hachalu Hundessa foi morto a tiros em um condomínio em Adis Abeba, capital da Etiópia, aos 36 anos. O cantor, membro da etnia oromo — a mesma do atual primeiro-ministro do país —, parece ter sido vítima do conflito entre grupos que toma o país africano e vem sendo mitigado pelo atual governo. Vários suspeitos foram presos e estão sendo investigados.

“A Etiópia perdeu uma vida preciosa”, afirmou o ministro Abiy Ahmed em comunicado à emissora estatal Fana. "Vamos expressar nossas condolências, mantendo-nos seguros e evitando novos crimes". A morte do representante otomo gerou revoltas e protestos na capital.

Hachalu foi prisioneiro político no passadoe sua atuação levou à ascensão de Abiy após a renúncia do ministro da situação, Hailemariam Desalegn, herdeiro de Meles Zenawi, em 2018. Ele era membro de uma etnia historicamente subjugada no país, que hoje tem representações no governo e comanda medidas de abertura política e liberdades democráticas.

Abiy Ahmed, Nobel da Paz de 2019 / Crédito: Divulgação

 

Com o aumento da agitação no país, pela vitória do grupo descriminado, o governo vem sofrido grandes pressões inclusive entre otomos, que são contrários à política pan-etíope do primeiro-ministro. É provável que a morte de Hachalu seja elemento desse atrito político, mas investigações estão sendo realizadas.

"Eles não mataram apenas Hachalu. Eles atiraram no coração da Nação Oromo, mais uma vez !! ... Você pode nos matar, todos nós, nunca pode nos parar! NUNCA !!", postou o nacionalista otomo Jawar Mohammed, que faz oposição ao governo integracionista Abiy, em seu Facebook pessoal.