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Descoberta acidental revela artefatos pré-colombianos

Durante os preparativos para a explosão de uma mina, o gerente de uma pedreira acabou descobrindo uma importante área de sepultamentos

André Nogueira Publicado em 09/08/2019, às 10h00

Arqueólogos jamaicanos em treinamento em Lionel Town
Arqueólogos jamaicanos em treinamento em Lionel Town - Reprodução

Em uma mina da Jamaica, uma descoberta revelou materiais arqueológicos pré-colombianos, da época em que a ilha era Xaymaca, terra da madeira e da água habitada pelos tainos. Os artefatos foram revelados após uma explosão numa pedreira em Hellshire, St. Catherine.   

A novidade foi presenciada pelo mineiro Tal Giller, nascido em Israel e contratado pela empresa Gore Developments como gerente da pedreira.  “Nós já carregamos os explosivos dentro da montanha e estávamos prontos para explodi-lo, então um dos operadores da escavadeira disse-me que encontrou uma caverna”, explicou.

Ossada encontrada / Crédito: Jamaica Gleaner

 

Sua equipe teria vistoriado a estrutura temendo seu colapso, mas saiu de lá com a impressionante descoberta: cerâmicas, pratos, ossos e ícones entalhados.

Após a recolha inicial dos objetos, a pedreira foi explodida e, felizmente, a caverna se manteve em pé. Giller logo convocou arqueólogos do Jamaica National Heritage Trust, que concluíram que a tal caverna é, no caso, um local de sepultamentos, pois “entre os artefatos havia restos humanos”, mesmo que “não [havia] restos esqueléticos completos, apenas partes do corpo", alegou Selvenious Walters, diretor técnico de arqueologia da JNHT.

Zemi de barro / Crédito: Jamaica Gleaner

 

Entre os materiais encontrados, além de ossadas humanas incompletas (que, provavelmente, teriam sido enterradas em outro lugar antes de passarem ao local encontrado), é possível destacar a descoberta de tigelas cerimoniais de cerâmica e de um Zemi de barro entalhado bem conservado. Zemi é um ícone religioso de importante centralidade na religião dos tainos - a estátua serviria de relicário do espírito para o povo.

Tigela de cerâmica cerimonial / Crédito: Jamaica Gleaner

 

"Torna-se parte de nossa coleção e serve como material de pesquisa para a área", disse Walters. Ainda falta muito para os jamaicanos terem pleno conhecimento dos assentamentos tainos e da distribuição demográfica da ilha antes do extermínio colonial, mas a JNHT tem se dedicado ao mapeamento e à conservação desses materiais.