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Incêndios na Amazônia ameaçam a vida de 300 povos indígenas

Ameaçados, indígenas prometem lutar pela floresta até a última gota de sangue

Joseane Pereira Publicado em 26/08/2019, às 15h11

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- Reprodução

Os incêndios na maior floresta tropical do mundo estão causando um alarde internacional. Ligada ao desmatamento e à ação de fazendeiros e madeireiros, essa ameaça à floresta atingiu números alarmantes: segundo dados do INPE, desde janeiro deste ano 74 mil incêndios foram registrados - número 85% maior que no ano passado e que inclui mais de nove mil incêndios na última semana.

E quem mais se esforça na luta contra essa ameaça à Amazônia são, compreensivelmente, os grupos indígenas que lá vivem.

Povos em luta

De acordo com o Instituto Socioambiental, apenas nos estados que compõem a Amazônia brasileira, vivem 210 etnias indígenas. E mesmo aqueles que decidiram viver “isolados” no seio da floresta estão sentindo o impacto das queimadas.

Entre eles estão os Mura, grupo que vive na Amazônia Oriental. Com um longo histórico de contato, hoje existem apenas 18 mil representantes desse grupo. E entre eles está Raimundo Praia Belem Mura, líder indígena de 73 anos, que afirmou na última semana: "Por essa floresta, continuarei até a minha última gota de sangue".

Indígena Awá com seu bebê / Crédito: Reprodução

 

Testemunhando a destruição contínua em torno de sua aldeia, Handerch Wakana Mura, outro líder de um grupo de pelo menos 60 pessoas, lamentou a perda da floresta para todos os cidadãos do mundo: “Com o passar dos dias, vemos o avanço da destruição: desmatamento, invasão, exploração madeireira. Estamos tristes porque a floresta está morrendo a todo o momento. Sentimos que o clima está mudando e o mundo precisa da floresta”, afirmou ele à agência britânica Reuters.

Lutando contra os madeireiros, os Mura têm apresentado reclamações aos órgãos de fiscalização ambiental e exigindo a demarcação de suas terras há quase 20 anos. Entretanto, o caminho se torna mais pedregoso à medida que o governo Bolsonaro congela a demarcação de terras e, ao mesmo tempo, incentiva a ação de madeireiros e condena o trabalho de organizações não governamentais.

Além do perigo às culturas indígenas que vivem da floresta, muitas outras formas de vida estão sob ameaça: engolfados pelas chamas, espécimes ainda desconhecidos de insetos, plantas e pequenos animais também estão desaparecendo rapidamente do planeta.