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Notícias / Brasil

Indígena batizado de Hitler consegue mudar de nome

Homem diz que seu pai era simpatizante do ditador

Fabio Previdelli Publicado em 18/11/2021, às 10h38

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Estátua de cera de Hitler no Madame Tussauds, em Berlim, Alemanha - Getty Images
Estátua de cera de Hitler no Madame Tussauds, em Berlim, Alemanha - Getty Images

Após recorrer à Defensoria Pública Especializada de Registros Públicos, um indígena conseguiu mudar seu nome de batismo, motivo pelo qual lhe causava enorme constrangimento. Afinal, poucas pessoas teriam orgulho de se chamar Hitler

Segundo relata, o nome foi registrado por seu pai, um militar que atuou durante o período da ditadura no Brasil. O homem, já falecido, tinha certa admiração pela figura abominável do ditador que foi responsável pela morte de cerca de 6 milhões de pessoas. 

Depois de uma vida inteira sofrendo preconceito, o que lhe trazia “uma profunda tristeza”, conforme relata matéria do Estadão, o indígena foi rebatizado com um nome que inclui seu povo e seu clã de origem. 

Agora, ele é chamado de Yura Niwa Wani Ni-Nawavo Marubo Comapa Franco — sendo ‘Yura Niwa Wani’ seu prenome, que significa 'pessoa falante'; 'Ni-Nawavo' vem de seu c6lã; ‘Marubo’ é o povo e ‘Comapa Franco’ seu sobrenome — que já usava anteriormente. 

"Agora trago o nome com o qual me identifico, o nome do meu povo", disse Yura. Aos 41 anos, ele é oriundo da aldeia Atalaia do Norte, que fica situada a 1.138 quilômetros de Manaus.  Atualmente, Comapa Franco é funcionário público e fez bacharelado em Direito. 

“Acabava criando para mim a imagem negativa que esse nome carrega e que era totalmente diferente da minha realidade, que é indígena", disse o rapaz,  que relatou que a mudança lhe deu uma nova vida. "O que a Justiça faz, à luz do Direito, com direitos previstos em lei, é devolver a vida, a dignidade da pessoa humana".