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Infecções de ouvido são detectadas em restos humanos de 15 mil anos

Uma análise, realizada pela Universidade de Tel Aviv, buscou entender as condições de vida de caçadores-coletores e agricultores através da enfermidade

Alana Sousa Publicado em 27/05/2020, às 14h30

Imagem meramente ilustrativa de uma caveira
Imagem meramente ilustrativa de uma caveira - Divulgação/Pixabay

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, localizada em Israel detectou infecções de ouvido em restos humanos de 15 mil anos atrás. A análise buscou compreender as condições de vida de seres pré-históricos quando passaram da caça e coleta para a agricultura.

A autora principal do estudo, Hila May, do Departamento de Anatomia e Antropologia da Faculdade de Medicina Sackler da TAU, explica que o estudo pretende determinar o impacto do meio ambiente sobre as doenças em diferentes períodos de tempo.

Para entender a razão das infecções serem um fator tão crucial na pesquisa é preciso levar em conta os aspectos sociais e ambientais. “Sabemos pelas escavações arqueológicas desse período, semelhante aos períodos anteriores, que as pessoas viviam em uma área comum onde todas as atividades, desde cozinhar até criar gado, eram realizadas. Como resultado, a densidade populacional na 'casa' era alta, a higiene era ruim e eles sofriam com a poluição do ar em ambientes fechados. Dois outros fatores conhecidos sobre esse período - mudança na dieta, o advento do consumo de laticínios; e mudanças climáticas, queda de temperatura e aumento de chuvas - também contribuíram para a prevalência de infecções no ouvido”, explica May.

Em um momento no qual não existiam antibióticos ou medicamentos para tratar as enfermidades, uma infecção de ouvido tinha grande chances de evoluir para uma condição crônica. Em casos mais graves resultava na perda da audição e, ainda, na morte.

A doença, que está presente na humanidade desde o início, foi diminuindo conforme as condições de vida foram apresentando uma melhora, como o aumento das propriedades, salas separadas e ambientes exclusivos para os animais. Nos dias de hoje, a enfermidade é detectada, como explica Hila, “50% das crianças pequenas hoje ainda sofrendo de uma infecção no ouvido em um momento ou outro”.