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Infectologista fala sobre impacto da variante Ômicron no Brasil

Eduardo Medeiros, infectologista da Unifesp, explica que 'apesar de ainda ser cedo para definir comportamento epidemiológico da nova variante Ômicron, é possível que locais em estágio avançado de vacinação sofram menores impactos'

Redação Publicado em 30/11/2021, às 11h41

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - geralt, via Pixabay

A pergunta que cada cidadão no Brasil e no mundo tem feito agora é: será que a nova variante B.1.1.529, denominada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de Ômicron, vai trazer uma nova e devastadora onda da pandemia do novo coronavírus?

Para Eduardo Medeiros, professor de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital São Paulo, hospital universitário da Unifesp, "apesar de ainda não haver respostas definitivas sobre o comportamento epidemiológico dessa nova variante, é possível que o impacto dela em uma população amplamente vacinada seja pequeno, pelo que se observa até o presente momento".

Descoberta na África do Sul, onde o vírus SARS-CoV-2 está se multiplicando e com alta transmissibilidade, a variante Ômicron sofreu diversas mutações, principalmente na proteína spike (proteína de ligação com o receptor celular) o que, consequentemente, pode aumentar a transmissibilidade.

"Diversos estudos já estão sendo conduzidos de modo a observar se a resposta vacinal será afetada por esta variante. Contudo, as informações até o momento mostram que os pacientes com infecção por essa variante têm evoluído com quadros leves a moderados, o que revela uma boa notícia. Em países com alta taxa de vacinados para covid-19, os pacientes com doses completas da vacina, provavelmente, terão menor risco de adquirir a infecção e, se tiverem a doença, menor possibilidade de evolução para quadros graves, internações e mortes quando comparado aos indivíduos não vacinados", destaca Medeiros.

O professor da Unifesp ressalta que o vírus SARS-CoV-2 procura se adaptar, multiplicar e aumentar a transmissão para outros hospedeiros.

Assim, em populações com baixa frequência de vacinados e falta de medidas preventivas para bloquear a transmissão, como uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos, o vírus encontra o ambiente ideal para, com novas mutações, seguir ativo".

Medeiros alerta que o momento pede cautela e que cada um faça sua parte nos cuidados e protocolos de higiene, além de não esquecer o compromisso com as doses da vacina, até que a ciência traga mais informações e respostas sobre a nova variante.