Inscrição de 3200 anos traz luz ao maior cataclismo da Antiguidade

A chamada 'Guerra Mundial 0' parece ter começado em Troia

Fábio Marton Publicado em 13/10/2017, às 13h18 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

Uma história repleta de crueldade e mitos
Uma história repleta de crueldade e mitos - Acervo AH
O cataclismo que falamos é o colapso da Idade do Bronze. Por volta de 1200 a.C., a massiva incursão militar de quem os egípcios chamaram de "Povos do Mar", começou o que foi a primeira Idade das Trevas. Cidades da Grécia até às costas do Egito foram arrasadas e abandonadas. A cultura dos gregos micênicos praticamente desapareceu - eles perderam sua escrita e só voltariam a escrever 400 anos depois, ao adotarem uma variação do alfabeto fenício.

Com apenas seus inimigos escrevendo, o que exatamente aconteceu e quem eram os Povos do Mar nunca ficou claro. Agora, um texto hieroglífico encontrado há quase 140 anos joga luz ao início da Idade das Trevas.

Gravado em pedras, o texto foi encontrado em 1878 na vila de Beyköy, Turquia, pelo arqueólogo Georges Perrot. Ele copiou em papel o que dava um total de 95 metros de escrituras, antes que os moradores do local usassem as pedras para construir uma mesquita.

A tradução levou tanto tempo porque os hieróglifos não eram do bem conhecido tipo egípcio. Eram hieróglifos lúvios, povo indo-europeu da Anatólia. Essa foi a missão final do arqueólogo britânico James Mellaart, que morreu em 2012, deixando instruções à sua equipe para terminar a tradução. Mellaart era o proprietário da cópia da cópia feita por Perrot, já que a primeira foi perdida num incêndio no século 19. 

O manuscrito basicamente afirma que um poderoso reino lúvio chamado Mira, liderado pelo rei Muksus de Troia, moveu uma massiva campanha contra o sul, conquistando tudo até o Egito. 

Troia não é lendária. Foi descoberta em 1865 às costas da Turquia, ao sul do Estreito de Dardanelos. Retratados na Ilíada como os arqui-inimigos dos gregos, historiadores sempre debateram qual sua etnia, com suspeitas recentes que fossem mesmo os lúvios que o manuscrito acaba de comprovar. 

A Ilíada mostra os troianos sendo tapeados pelos gregos usando um cavalo gigante de madeira, dado de presente e secretamente recheado de soldados para abrirem seus portões e causarem sua total destruição. O texto parece indicar que eles eram um tantinho mais espertos que isso.