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Inscrição romana de 1,8 mil anos revela corrupção política

Elaborado em grego antigo pelo imperador Sétimo Severo, o texto milenar contestava uma acusação de suborno e mentia sobre origem

Wallacy Ferrari Publicado em 18/11/2020, às 10h01

Imagem em plano detalhe das escrituras em grego antigo
Imagem em plano detalhe das escrituras em grego antigo - Veliko Tarnovo Regional Museum of History

Uma equipe de pesquisadores descobriu, em 1923, diversos fragmentos de uma coluna de pedra com inscrições romanas para reconstruir a estrutura original de um item erguido em 198 d.C.

Os pedaços, localizados na cidade romana de Nicopolis ad Istrum, território do centro-norte da Bulgária, foram remontados durante várias décadas, decifrando somente esse ano uma impressionante mensagem.

O comunicado público foi originalmente escrito em uma carta em grego antigo, sendo transcrito para a pedra como ordem do então imperador Sétimo Severo (193 d.C. a 211 d.C.), autor do texto.

De acordo com o portal Archaeology in Bulgaria, tratava-se de um agradecimento aos cidadãos da cidade, que supostamente doaram denários para o imperador durante a tomada de poder.

A peça foi devolvida ao local original junto a placa de tradução / Crédito: Veliko Tarnovo Regional Museum of History

 

O epigrafista Nikolai Sharankov, responsável por analisar a escrita no estudo, contesta a versão do próprio imperador: a "doação" tratou-se de um suborno em grande escala dos habitantes da época, sendo mascarada em termos de agradecimento: "Aceitei este dinheiro dado por pessoas bem-intencionadas", registra na pedra.

Sharankov também chamou atenção para uma mentira política presente no texto grego; Sétimo Severo havia recém-tomado o império e, para obter prestígio regional, se apresentou na carta como filho do imperador Marco Aurélio (161 d.C. a 180 d.C.) — uma mentira, visto que Severo não tinha nada a ver com a Dinastia Nerva-Antonina.