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Brasil teve quarto maior declínio democrático da última década, diz instituto

O V-Dem Institute faz levantes anuais em relação à democracia, com seus dados sendo utilizados inclusive pela ONU

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 10/03/2021, às 15h21

O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro - Getty Images

Segundo um levantamento divulgado nesta quarta-feira, 10, pela organização sueca V-Dem Institute, o Brasil teve o quarto maior retrocesso democrático do mundo durante o ano de 2020. O estudo foi repercutido pelo UOL. 

O projeto, que é realizado anualmente, contou com uma equipe de 3,5 mil especialistas para ser completado, e produziu cerca de 30 milhões de dados. Entre eles, está um ranking de países que passaram por maiores ondas de autocratização (que é o nome dado ao processo de erosão das democracias). 

A primeira nação na lista é a Polônia, com a Hungria como segunda colocada e a Turquia em terceiro.

Vale dizer ainda que a classificação de qualidade de democracias do instituto já tinha nosso país na posição de número 56, atrás de países como a África do Sul, Senegal e Namíbia. O Brasil, infelizmente, tem apresentado uma queda nesse índice desde 2015, quando antes demonstrava estabilidade.

Inclusive, o documento não considera mais nossa nação como uma “democracia liberal”, e sim uma “democracia eleitoral”. Alguns dos critérios democráticos nos quais tivemos declínios consideráveis foram o acesso à informação e a liberdade de expressão acadêmica e artística, de acordo com o levantamento. 

"A censura do governo e a hostilidade à imprensa não aliada está aumentando no Brasil, em especial depois do populista de direita Bolsonaro ter sido eleito presidente, incluindo a disseminação de informação falsa pelo governo", declarou o informe sueco, de acordo com o que foi repercutido pelo UOL. 

Os levantamentos do órgão, por conta de sua extensão e profundidade, costumam ser usados pela ONU, Comissão Europeia e outras entidades internacionais de relevância.