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Instrutor de surfe negro é acusado por casal de brancos de roubar sua própria bicicleta

“Se eu fosse um jovem branco seria totalmente diferente”, disse o jovem Matheus Ribeiro. Entenda o caso!

Fabio Previdelli Publicado em 15/06/2021, às 12h20

O instrutor Matheus Ribeiro
O instrutor Matheus Ribeiro - Divulgação/ Arquivo Pessoal

No último sábado, dia 12, o instrutor de surfe Matheus Ribeiro, de 22 anos, estava com sua bicicleta elétrica na porta do shopping Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O jovem esperava sua namorada. Segundo relatou ao UOL, ela trabalha como vendedora em uma loja de roupas e havia ido retirar uma peça na filial que fica no shopping. 

Porém, nesse meio tempo, Matheus foi abordado por um casal de jovens brancos que acusaram ele, que é negro, de ter roubado o veículo. "Fiquei parado em torno de 15 minutos e eles chegaram falando: 'Essa bicicleta é minha'", diz ao UOL. 

Prontamente, Ribeiro começa a gravar um vídeo com a abordagem — as imagens viralizaram em seu perfil nas redes sociais. "Você pegou essa bicicleta ali agora, não foi?", acusa o rapaz ao lado de sua namorada. "É sim, essa bicicleta é minha", afirma ela.  

O instrutor, no entanto, tenta provar que a bicicleta é sua; sem sucesso. “Sem entender nada, fui tentar mostrar aos dois que a bicicleta é minha, com fotos antigas com ela, chave, o que foi possível naquele momento”. 

“Eu só consegui provar que a bicicleta é minha, quando, sem minha autorização, o lindo rapaz pega o cadeado da minha bicicleta e tenta abrir. Frustrado com sua tentativa, ele diz que não me acusou, afinal, o rapaz só estava perguntando", relata o instrutor.  

Após muita relutância, Matheus acabou registrando um boletim de ocorrência por ter sido falsamente acusado de roubar algo que lhe pertence. Segundo o UOL, ele foi orientado na delegacia a não registar o caso como racismo ou injúria racial, já que o casal, no vídeo, não fala nada sobre sua cor.  

“Se eu fosse um jovem branco seria totalmente diferente. Para mim, não se precisa dizer. A gente entende que não foi calúnia”, diz o instrutor.