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Irã está 'brincando com a vida' de cineasta preso, segundo acusação da Anistia Internacional

Em denúncia feita na última sexta-feira, 30, a organização condenou atos que classificou como "cruéis, desumanos e degradantes"

Pamela Malva Publicado em 02/05/2021, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa da bandeira Irã
Imagem meramente ilustrativa da bandeira Irã - Ak ba/Creative Commons/Wikimedia Commons

Desde agosto de 2019, o cineasta dissidente Mohammad Nourizad cumpre uma pena de 17 anos de prisão, sentença que recebeu após insultar o aiatollah Alí Khamenéi. Na última sexta-feira, 30, no entanto, a Anistia Internacional (AI) afirmou que o Irã está “brincando com a vida” do homem, segundo noticiado pelo UOL.

De acordo com o órgão, Mohammad está bastante doente e chegou a ser torturado na instituição prisional. Nesse sentido, a denúncia afirma que o cineasta teria recebido injeções de um produto misterioso, que foi injetado em suas genitais várias vezes.

Conhecido no Irã por escrever e dirigir diversos longa-metragens, o detento demonstrou uma piora em sua saúde logo depois que foi levado para a prisão de Evin, em Teerã. Para a Anistia Nacional, contudo, a penitenciária tem certa culpa nesse quadro.

Fotografia do cineasta Mohammad Nourizad / Crédito: Diyarenoon/Creative Commons/Wikiedia Commons

 

Em sua denúncia, o órgão afirmou que Mohammad apenas ficou doente porque a prisão lhe negou o "acesso a uma atenção médica especializada adequada para sua doença cardíaca e sua diabetes". Dessa forma, para a Anistia, “as autoridades iranianas brincam cruelmente com a vida” do cineasta.

Muito além de criticar a instituição, contudo, a AI ainda revelou uma carta escrita por Mohammad em abril de 2020. Na correspondência, ele revela que, em determinado momento da detenção, lhe injetaram uma substância "oito vezes em [seu] pênis".

"Imediatamente, escrevi uma carta ao chefe da prisão pedindo que me enviassem urgentemente à Organização de Medicina legal para que me examinassem e determinassem a substância que me injetaram oito vezes”, continuou Mohammad, ainda na carta. “Não tive notícias desde então.”

Em resposta às revelações feitas pelo cineasta, que passou a praticar automutilação para conseguir alguma atenção na cadeia, a Anistia Internacional disse estar horrorizada com as claras sessões de “tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes, incluindo estupros e a aplicação forçada de substâncias químicas".