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Israel é acusado de apoiar neonazistas na Ucrânia

Tensões entre o país e a Rússia vêm aumentando desde declaração polêmica de ministro russo sobre Adolf Hitler

Redação Publicado em 03/05/2022, às 10h36

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov - Getty Images

Israel foi acusada de apoiar neonazistas na Ucrânia pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov nesta terça-feira, 3, aumentando as tensões entre os países desde a polêmica declaração do russo do último domingo, 1.

Durante entrevista a uma emissora de televisão italiana, Lavrov respondeu uma pergunta sobre a suposta “desnazificação da Ucrânia”, uma das justificativas russas para a invasão — já criticada visto que o próprio presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, é judeu.

“Quando eles dizem ‘que tipo de nazificação é essa se somos judeus’, bem, acho que Hitler também tinha origens judaicas, então isso não significa nada. Há muito tempo ouvimos o sábio povo judeu dizer que os maiores antissemitas são os próprios judeus”, respondeu.

Na segunda-feira, 2, a fala foi rebatida pelas autoridades de Israel, que descreveram a declaração como uma falsidade "imperdoável” responsável por minimizar o Holocausto. O chanceler Yair Lapid solicitou um pedido formal de desculpas vindo do Kremlin.

"As observações do ministro das Relações Exteriores Lavrov são uma declaração imperdoável e ultrajante, bem como um terrível erro histórico", escreveu em uma publicação feita em seu Twitter.

Ele continuou: "Os judeus não se mataram no Holocausto. O nível mais baixo de racismo contra os judeus é acusar os próprios judeus de antissemitismo".

Sem mudanças

Lavrov, no entanto, reiterou seu posicionamento em novo comunicado divulgado na manhã desta terça-feira, conforme repercutiu o jornal O Globo. Segundo o ministro russo, a resposta de Lapid é "anti-histórica".

Para ele, a afirmação do chanceler israelense "explicava porque o governo israelense apoiava um regime neonazista em Kiev". "O antissemitismo na vida cotidiana e na política não parou e, ao contrário, é alimentado [na Ucrânia]", completou.