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Israel reprova comparações entre Holocausto e restrições da Covid-19

Acreditando ser uma maneira de generalizar o antissemitismo, o governo israelense apontou que estas falas são perigosas

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 27/01/2022, às 21h00

O presidente de Israel, Isaac Herzog (2021)
O presidente de Israel, Isaac Herzog (2021) - Getty Images

O dia 27 de janeiro, esta quinta-feira, marca o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. No entanto, entre as memórias e cerimônias de honra, o governo de Israel achou necessário esclarecer que as comparações entre as medidas de contenção da Covid-19 e o genocídio judeu pelo nazismo é um exemplo de antissemitismo.

Dentro de muitos movimentos negacionistas, conspirativos e anti-vacina, diversas maneiras de supostamente conectar o Holocausto com as medidas legislativas contra o coronavírus ficaram extremamente populares, tanto que Israel foi levado a publicar uma reprovação pública contrária às comparações.

De acordo com a cobertura do portal de notícias UOL, o documento assinado pelo Ministério de Assuntos da Diáspora explica que, além de normalizar e tirar a seriedade de um momento tão terrível quanto o Holocausto, alguns dos grupos continuam a espalhar estereótipos e mitos violentos do antissemitismo.

Alguns agitadores contra medidas de contenção da Covid-19 estão consumindo e disseminando conspirações antissemitas de que os judeus são os responsáveis pela crise e que estão usando-a para a opressão, dominação global, ganho econômico, etc", escrevem.

Inclusive, diversos manifestantes contra as medidas de retenção começaram a utilizar as estrelas amarelas que judeus foram obrigados a usar durante o genocídio. Em sua visão, estas comparações e manifestações violentas contra a guerra com Gaza foram os maiores catalisadores para o antissemitismo no ano passado, 2021.

Em conversa com a agência de notícias Reuters, o ministro de Assuntos da Diáspora, Nachman Shai, expressou sua preocupação de que estas comparações podem rapidamente se tornar violências reais. "Há pessoas tão carregadas de ódio que podem, diante de tal simbologia, acabar agindo", dissem ele.