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Israel usa tecnologia de reconhecimento facial para monitorar palestinos

Chamado “Blue Wolf”, ou lobo azul, software indica quem deve ser preso a partir de fotos

Paola Orlovas, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 10/11/2021, às 14h31

Soldado de Israel em 2014
Soldado de Israel em 2014 - Getty Images

Uma organização israelense informou à AFP na última terça-feira, 9, que o exército do país havia desenvolvido e estava usando um sistema de reconhecimento facial para monitorar os palestinos na área da Cisjordânia.

A tecnologia, chamada “Blue Wolf”, ou lobo azul, teria sido desenvolvida há dois anos, segundo o jornal americano Washington Post, e usaria fotos dos rostos de palestinos, tiradas por soldados e enviadas para uma plataforma, que diria se a pessoa deveria ou não ser presa a partir delas. 

Ainda segundo a AFP, o jornal americano obteve depoimentos de diversos ex-soldados israelenses que fazem parte da organização "Breaking the Silence" (rompendo o silêncio) e confirmaram a existência do software, que está disponível para todos os militares, que fazem as denúncias dos palestinos de forma anônima.

Ori Givati, um dos responsáveis da Breaking the Silence, explicou como o uso da “Blue Wolf” se dá entre os soldados, em uma entrevista para a AFP: 

São enviados para patrulhar cidades e povoados com um tipo de 'smartphone' e fazem fotos de cada palestino que veem nas ruas, de maneira completamente arbitrária”, disse.

Segundo ele, o uso do aplicativo criou uma competição entre soldados, que tiram as fotos, e podem receber diferentes telas em resposta: vermelha, caso devam prender a pessoa, amarelo, caso ela deva ser detida temporariamente, e verde, quando não se deve fazer nada. 

Depois de serem questionadas pela AFP, as Forças de Defesa de Israel disseram que estavam conduzindo "operações rotineiras de segurança" na região para "lutar contra o terrorismo" e "melhorar a qualidade de vida" das comunidades palestinas.