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Japão considera despejar água radioativa de Fukushima no Pacífico

Os elementos radioativos podem alavancar taxas de incidência de câncer ósseo e leucemia

Fabio Previdelli Publicado em 11/09/2019, às 18h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Reprodução

A empresa japonesa Tokyo Eletric Power Co. (Tepco) estuda a possibilidade de despejar água radioativa de Fukushima no Pacífico. Até agora, a companhia coletou mais de 1 milhão de toneladas de água contaminada dos tubos de resfriamento usados para impedir que os núcleos derretessem desde de que a usina foi afetada por um terremoto e um tsunami em 2011.

Inicialmente, a Tepco alegou que a água continha apenas trítio – isótopo de hidrogênio que apresenta pouco perigo para os seres humanos. No entanto, documentos vazados em 2018 mostram que a água contém um dilúvio de materiais radioativos, entre eles, estrôncio, iodo, ródio e cobalto. Esses elementos teriam sido encontrados em níveis acima dos que são permitidos legalmente.

“A única opção será drená-lo para o mar e diluí-lo”, disse Yoshiaki Harada, ministro do Meio Ambiente do Japão. “Todo o governo discutirá isso, mas eu gostaria de oferecer minha simples opinião”.

Yoshiaki Harada, ministro do Meio Ambiente do Japão / Crédito: Reprodução


Embora esta não seja a estratégia final, o governo do país pende a encontrar uma alternativa de curto prazo. O jornal The Guardian informou que a água radioativa está armazenada em quase mil tanques. O governo estabeleceu um painel para resolver o problema, já que estimativas indicam que não haverá mais espaço para reservatório até 2022.

Outras opções que estão em discussão são as opções de reduzir os níveis de radiação diluindo a água contaminada com água do oceano; enterrar o líquido abaixo do solo e depois concretar o local e até mesmo vaporizar o resíduo.

A possível solução não agradou a todos. A indústria pesqueira local – que passou quase uma década para se reerguer – e a Coreia do Sul não estão satisfeitos com essa perspectiva.

A água radioativa está armazenada em quase mil tanques no local / Crédito: Reprodução


Os sul-coreanos escreveram à Agência Internacional de Energia Atômica solicitando que encontrassem “uma maneira de lidar com a água radioativa da usina de Fukushima”. Também aconteceu uma reunião entre os dois países para perguntar como a questão seria gerenciada. O Ministro das Relações Exteriores pediu ao Japão “para tomar uma decisão sábia e pridente sobre o assunto”.

O Greenpeace também se opôs à proposta de Harada e disse que era ”totalmente imprecisa – tanto cientifica quanto politicamente. [...] O governo japonês recebeu soluções técnicas, inclusive de empresas nucleares dos EUA, para remover o trítio radioativo da água contaminada – até agora ele optou por razões financeiras e políticas para ignorá-las”.

A ONG seguiu seu pronunciamento alegando que “o governo deve se comprometer com a única opção ambientalmente aceitável para gerenciar esta crise da água, que é o armazenamento e processamento a longo prazo para remover a radioatividade da água, incluindo o trítio”.

O governo estabeleceu um painel para resolver o problema, já que estimativas indicam que não haverá mais espaço para reservatório até 2022 / Crédito: Reprodução


Os grupos ambientais alertam severamente contra os riscos de radionuclídeos se acumularem em peixes e moluscos. O estrôncio pode ser encontrado nos ossos de peixes pequenos, que, por sua vez, são consumidos por seres humanos em todo mundo. A ingestão do produto pode levar ao aumento da taxa de incidências de câncer ósseos e leucemia.