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Joe Biden abusou sexualmente de mulheres? Entenda a acusação feita por Tara Reade

Ex-funcionária de Biden, que trabalhou com o democrata há mais de 30 anos, alegou que foi agredida sexualmente nos corredores do Congresso americano. “As mãos dele estavam em mim e por baixo das minhas roupas”, revelou

Fabio Previdelli Publicado em 15/11/2020, às 09h00

Fotografia de Joe Biden
Fotografia de Joe Biden - Wikimedia Commons

Apesar das inúmeras acusações infundadas de Donald Trump sobre supostas fraudes nas eleições americanas desse ano, o candidato democrata Joe Biden conquistou, no último sábado, 7, os 270 delegados necessários para se tornar o 46º presidente dos Estados Unidos. 

Porém, no mesmo dia, além da polêmica com a recontagem dos votos, um assunto sobre a vida privada de Biden voltou a ser discutida nas redes sociais: afinal, o democrata cometeu crimes de abuso sexual? 

A acusação 

O principal caso que coloca o democrata contra a parede é o de Tara Reade, que trabalhou como assistente de equipe do futuro presidente americano há mais de 30 anos, entre 1992 e 1993, quando ele era senador pelo estado de Delaware. Segundo Tara, ele a agrediu sexualmente nos corredores do Congresso americano. 

Biden durante discurso em 1994 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Apesar de ser acusado por várias mulheres, está é a primeira acusação grave de má conduta sexual contra Biden a se tornar pública. “Estou dizendo de forma inequívoca: nunca, nunca aconteceu”, defendeu o democrata em entrevista para a TV americana. 

Porém, apesar da fala, conhecidos de Reade disseram que ela confidenciou detalhes do abuso após o ocorrido. Segundo Tara, o democrata, em uma ocasião, a forçou contra a parede e colocou suas mãos sob sua blusa e saia. Isso teria ocorrido depois que ela lhe entregou sua bolsa de ginástica. “Não houve troca, na verdade, ele apenas me colocou contra a parede”, revelou em participação a um podcast em março deste ano.  

“Lembro que aconteceu tudo de uma vez... as mãos dele estavam em mim e por baixo das minhas roupas”. Ele, então, a penetrou com seus dedos, revelou. “Lembro dele me dizendo, em um primeiro momento, ‘você quer ir para outro lugar?’”. Quando Tara se afastou, Biden teria dito: “Vamos lá, ouvir dizer que você gosta de mim”. “Essa frase ficou comigo”, revela. 

No dia 9 de abril de 2020, Tara Reade entrou com uma queixa criminal à polícia dizendo que havia sido vítima de uma agressão sexual, mas não havia revelado o nome de Joe Biden. Em um tweet, ela disse que registrou a reclamação “apenas por motivos de segurança”, já que o prazo para prescrição do crime expirou e ela estava recebendo ameaças online.  

As evidências 

No ano passado, Tara reuniu diversas mulheres para acusarem o democrata de tocá-las, abraçá-las ou beijá-las inadequadamente. Apesar disso, nenhuma delas, na ocasião, descreveu os atos de Biden como abuso sexual.  

Três pessoas apoiam os relatos de Reade, embora nenhuma delas tenham sido testemunhas do fato. Além de seu irmão, uma ex-vizinha e uma ex-colega de trabalho relatam que ouviras dela detalhes sobre a acusação contra seu ex-chefe dias após o suposto abuso. 

Tara Reade nos anos 1990 / Crédito: Wikimedia Commons

 

“Isso aconteceu, e sei que aconteceu, porque me lembro dela ter falado disso”, disse Lynda LaCasse, que morava próxima a Tara depois que ela deixou Washington em 1993. A declaração foi dada em uma entrevista ao Business Insider. “Lembro-me dela dizer, aqui estava esta pessoa para quem trabalhava e que o idolatrava”. 

"Tenho de apoiá-la porque foi isso que aconteceu", disse LaCasse. A ex-vizinha declarou que se sentiu compelida a apoiar Reade porque "precisamos nos levantar e dizer a verdade". No entanto, declarou, na ocasião, que ainda planeja votar em Biden nas eleições presidenciais. 

Já Lorraine Sanchez, uma ex-assessora legislativa que trabalhou com Reade no escritório de um legislador da Califórnia entre 1994 e 1996, declarou que, durante esse tempo, Tara disse que havia sido abusada por um ex-chefe. 

"Ela foi assediada sexualmente por seu ex-chefe enquanto estava em Washington DC", diz Sanchez, que acrescentou que não conseguia se lembrar se Reade detalhou o tipo de assédio que sofreu ou se citou o nome de Biden durante o relato. 

Tara afirmou que apresentou uma queixa a um escritório do Congresso sobre seu tratamento como funcionária de Biden, mas disse que tinha nenhuma cópia do relatório. Jornalistas do The New York Times e do Washington Post dizem que não conseguiram localizar o documento em questão, segundo informou matéria da BBC.

Separadamente, os registros da carreira de 36 anos de Biden como senador dos Estados Unidos estão sendo mantidos na Universidade de Delaware, que afirma que não divulgará nenhum deles até dois anos depois que Biden deixar a vida pública. 

O que diz a defesa de Biden? 

Em abril, a campanha de Biden disse que o incidente em questão “absolutamente não aconteceu”. O democrata acredita firmemente que “as mulheres têm o direito de ser ouvidas - e ouvidas com respeito", disse a porta-voz de sua campanha. "Essas alegações também devem ser analisadas de forma diligente por uma imprensa independente”. 

Em 1º de maio, Biden emitiu um comunicado dizendo: "As mulheres merecem ser tratadas com dignidade e respeito e, quando se apresentarem, devem ser ouvidas, não silenciadas". Ele ainda acrescentou que "suas histórias devem ser submetidas a investigação e escrutínio apropriados", e disse que os jornalistas devem "avaliar o registro completo e crescente de inconsistências em sua história, que mudou repetidamente em pequenas e grandes formas". 

Joe Biden sorri e comemora para câmera / Crédito: Getty Images

 

Além das declarações do presidenciável, nenhuma de suas assessoras sênior lembram de ter escutado quaisquer reclamações vindas de Tara. "Não tenho absolutamente nenhum conhecimento ou memória da contabilidade dos eventos feita por Reade, o que teria deixado uma impressão marcante em mim como profissional e como gerente", disse a assistente executiva de Biden, Marianne Baker

Além de Reade, não houve nenhuma outra alegação de agressão grave feita contra Joe Biden. Em uma investigação sobre o relato de Reade feito pelo New York Times, duas amigas disseram que ela havia descrito os detalhes de um ataque sexual traumático envolvendo o ex-vice-presidente, em 1993 e 2008. Porém, o jornal não encontrou nenhuma corroboração de qualquer ex-membro da equipe do democrata e não encontrou "nenhum padrão de conduta sexual imprópria de Biden".


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