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Jogadoras de futebol do Afeganistão recebem abrigo na Austrália

As atletas temiam represália do Talibã, que voltou ao poder após 20 anos

Penélope Coelho Publicado em 25/08/2021, às 11h46

Atletas do Afeganistão antes de embarcarem para Austrália
Atletas do Afeganistão antes de embarcarem para Austrália - Divulgação/Instagram/Khalida Popal

Na última terça-feira, 24, foi noticiado pelo portal G1, que atletas do Afeganistão que integram a seleção feminina de futebol do país contaram com o apoio do governo australiano para deixarem sua nação de origem, em meio a atual crise no local, após o grupo terrorista Talibã tomar o poder.

Em comunicado a Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (Fifpro) falou sobre o caso:

"Estas jovens estiveram em uma posição de perigo e, em nome de suas colegas ao redor do mundo, agradecemos à comunidade internacional por terem ido em sua ajuda”.

Segundo revelado na reportagem, os familiares das jogadoras também receberam a mesma ajuda, como informou a Fifpro.

As atletas que ainda viviam em solo afegão temiam ser perseguidas pelos extremistas, em decorrência do preconceito a respeito da profissão que exercem. Algumas das jogadoras chegaram a afirmar que até conseguirem o abrigo na Austrália, viviam escondidas desde que o Talibã retomou o poder no país.

Caos no Afeganistão

Após a tomada do palácio presidencial, localizado em Cabul, no último domingo 15, o grupo extremista Talibã retomou oficialmente o poder do Afeganistão, após 20 anos.

O episódio foi favorecido pela retirada das tropas norte-americanas através de um acordo de paz iniciado no governo Trump e concretizado na era Biden.

Diante da volta do grupo radical, inúmero afegãos começaram a fugir do país. Na última segunda-feira, 16, vídeos revelaram inúmeras pessoas se amontoando no aeroporto de Cabul na tentativa de escapar do país e do retrocesso que a volta do Talibã representa.

Até mesmo a aérea externa de uma aeronave foi utilizada em um ato desesperado de deixar o país. Embora o grupo afirme que não está em busca de confusão, recentes episódios contradizem isso.

"Vamos permitir que as mulheres trabalhem e estudem dentro de nossas estruturas. As mulheres serão muito ativas em nossa sociedade, dentro de nossa estrutura”, disse Zabihullah Mujahid, o representante do Talibã.

“Queremos assegurar que o Afeganistão não seja mais um campo de batalha. Perdoamos todos aqueles que lutaram contra nós, as animosidades acabaram. Não queremos inimigos externos nem internos", disse ele. 

Não só um protesto foi reprimido com tiros na última quinta-feira, 18, mas também jornalistas têm acusado o grupo de perseguições. Um familiar de um jornalista do canal público de televisão alemão Deutsche Welle (DW) fora executado pelo grupo.

"O assassinato de um parente de um de nossos editores pelos talibãs ontem [quinta-feira] é incrivelmente trágico e ilustra o grave perigo em que se encontram todos os nossos funcionários e suas famílias no Afeganistão", disse o diretor geral da DW, Peter Limbourg, em comunicado divulgado na última sexta-feira, 20.