Notícias » Pré-História

Jogo de tabuleiro de quase 2 mil anos é descoberto em cemitério da Noruega

18 fichas de jogo e um dado que remontam à Idade do Ferro foram encontrados em uma tumba que também guardava os restos mortais de um nobre

Isabela Barreiros Publicado em 04/05/2020, às 14h18

Algumas das peças encontradas no cemitério norueguês
Algumas das peças encontradas no cemitério norueguês - Museu da Universidade de Bergen

Na Noruega, no condado de Hordaland, quase todas as peças de um antigo jogo de tabuleiro foram encontradas em um cemitério que remonta à Idade do Ferro, o que faz com que o artefato tenha por volta de 1700 anos. Os objetos foram descobertos mais especificamente em uma tumba, que ainda continha mais surpresas.

Foram 18 as fichas de jogo encontradas pelos arqueólogos, estando 13 delas inteiras e cinco partidas parcialmente. Além disso, o dado, provavelmente utilizado para a partida, também foi uma das descobertas realizadas no local.

As fichas são marcadas com números: zero, três, quatro e seis. Acredita-se que estes seriam os pontos possíveis a serem marcados no tabuleiro.

Crédito: Museu da Universidade de Bergen

 

Na sepultura, porém, foram desenterrados ainda os restos mortais de quem os pesquisadores sugerem ter sido um nobre ou uma pessoa muito poderosa da região. “Pessoas que jogavam jogos como esse eram aristocracia local ou da classe alta. O jogo indicava que você tinha tempo, lucros e capacidade de pensar estrategicamente”, explicou Morten Ramstad do Museu da Universidade de Bergen.

Para ele, os artefatos ainda possibilitam a indicação de um contato amplo com o Império Romano. “Estes são objetos de status que testemunham o contato com o Império Romano, onde as pessoas se divertiam com jogos de tabuleiro”, afirmou. A descoberta também “conecta a Noruega a uma rede maior de comunicação e comércio na Escandinávia”.

“Isso é maravilhosamente emocionante. Tais descobertas na Noruega ou na Escandinávia têm sido muito raras. O que é especial aqui é que encontramos quase todo o conjunto e, não menos importante, o dado”, concluiu Ramstad.