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Neonazista candidata a concurso de "Miss Hitler" é condenada por participação criminosa antissemita

A moça falava sobre "jogar bola com a cabeça de judeus" durante encontros com o grupo de extrema direita National Action

Vanessa Centamori Publicado em 20/03/2020, às 10h51

Alice Cutter, que queria ser Miss Hitler
Alice Cutter, que queria ser Miss Hitler - Divulgação

No Reino Unido, a jovem de 23 anos de idade, Alice Cutter, que participava de uma competição de beleza para ser a “Miss Hitler”, foi condenada junto do ex-namorado Mark Jones, 25, por fazerem parte da organização terrorista de extrema direita National Action. 

Os ex-namorados foram julgados pela Corte da Coroa de Birmingham. Os magistrados descobriram que Cutter era parte central da organização criminosa, enquanto que Jones era um líder e estrategista. A corte também considerou culpados, por participação na National Action, Garry Jack, de 24 anos, e Connor Scothern, 25.

Os jurados descobriram ainda que Cutter concorria no concurso de beleza sob o nome de Miss Buchenwald - em alusão ao campo de concentração homônimo, que ficava no leste da Alemanha entre 1937 a 1945 e exterminou cerca de 56 mil prisioneiros. 

Mark Jones e Alice Cutter / Crédito: West Midlands Police 

 

Além de carregar o codinome discriminatório e ofensivo, a moça havia enviado centenas de mensagens nazistas e antissemitas, além de estar se encontrando com membros do grupo intolerante após a proibição dele. A legislação antiterrorismo do Reino Unido havia banido a National Action, três anos após o grupo ter comemorado o assassinato da membra do parlamento, Jo Cox, no vilarejo de Birstall.

Cutter negou ter envolvimento com a organização terrorista, apesar de já ter feito a saudação nazista publicamente, em 2016, no edifício Leeds Town Hall. Ela também já escreveu piadas sobre depredar sinagogas e jogar bola com a cabeça de judeus, durantes vários encontros com a National Action.

O ex-namorado não agia muito diferente: ele explicitamente expressava sentimentos de admiração por Adolf Hitler. Em 2016, Jones esteve na Alemanha, onde tirou uma foto fazendo a saudação nazista em uma sala de execução do Campo de Concentração Buchenwald.

Ele, que era conhecido sob o nome "Grandaddy Terror" ( do inglês, algo como "vovô do terror"), também durante a mesma viagem tirou uma selfie em fornos onde milhares de judeus foram incinerados.