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Julgamento da ONU contra "financiador" do genocídio de Ruanda acontecerá nesta quarta-feira (11)

Felicien Kabuga é acusado de usar sua empresa para organizar uma milícia hutu e instigar o genocídio de tutsis em Ruanda

Giovanna de Matteo Publicado em 09/11/2020, às 09h39

Félicien Kabuga em pôster de procurado do Departamento de Estado dos EUA
Félicien Kabuga em pôster de procurado do Departamento de Estado dos EUA - Wikimedia Commons

Felicien Kabuga, que já foi um dos homens mais bem sucedidos de Ruanda, é acusado de cometer diversos crimes contra a humanidade, e procurado pelos Estados Unidos, por ter supostamente usado sua empresa de mídia para ajudar a criar um grupo de milícia e impulsionar o assassinato de pessoas durante a Guerra de Ruanda.

Ele é acusado de ser um dos principais financiadores do genocídio de Ruanda em 1994, além de ser apontado como cúmplice de genocídio e de instigar o ato criminoso. Kabuga nega o seu envolvimento com a milícia e o genocídio e, segundo um tribunal da ONU, ele passará por uma audiência antes de seu julgamento em Haia, na Holanda, que acontecerá na próxima quarta-feira, 11.

O homem foi preso na França, perto de Paris, em maio deste ano, após longas duas décadas depois de sua primeira acusação pelo Tribunal Penal Internacional para Ruanda (ICTR).

Ele foi transferido para Haia antes de seu julgamento oficial na Tanzânia, no Mecanismo Residual Internacional para Tribunais Criminais (MICT), o órgão de justiça da ONU que ficou responsável por julgar os criminosos que participaram do genocídio de Ruanda depois que o ICTR foi encerrado em 2012.

De acordo com o juiz Iain Bonomy em Arusha, Tanzânia, os advogados de Kabuga deverão atualizar o tribunal do MICT sobre as informações de defesa nesta quarta-feira. Ele afirma que o ex-magnata poderá comparecer ao julgamento presencialmente ou por via videolink de seu centro de detenção.

Os promotores da ONU irão finalmente abrir o julgamento de Kabuga. Eles o acusam de ter ajudado a organizar e motivado o grupo de milícia Interahamwe Hutu por meio de sua Rádio-Televisão Libre des Mille Collines, que acabou na perseguição e morte de vários tutsis.

Ele também é suspeito de ter financiado e importado um número enorme de facões que teriam sido destinados à milícias étnicas hutus, que iniciou o massacre de milhares de tutsis e hutus moderados em Ruanda, em um período de 100 dias em 1994.