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Júpiter seria culpado por Vênus não ser habitável atualmente, revela estudo

O estudo insinua que a movimentação de Júpiter em relação ao Sol pode ter feito com que Vênus se tornasse inabitável

Giovanna de Matteo Publicado em 05/10/2020, às 12h00

Imagem meramente ilustrativa de Júpiter
Imagem meramente ilustrativa de Júpiter - Divulgação

Apenas duas semanas após a descoberta de fosfina em Vênus, um estudo da Universidade da Califórnia em Riverside (UCR),  publicada no periódico Planetary Science Journal, anunciou novas descobertas. A hipótese é de que o planeta Vênus poderia ser habitável se não fosse pela órbita de Júpiter.

Tendo uma massa duas vezes e meia maior que todos os outros planetas do Sistema Solar juntos, acredita-se que Júpiter influencie as órbitas de seus vizinhos. Segundo os pesquisadores, no início de sua constituição, Júpiter se moveu para mais perto e depois para mais longe do Sol, e esse movimento teria afetado Vênus.

Observando outros sistemas planetários, apurou-se que migrações de planetas gigantes logo após sua formação podem ser comuns. Em nota, Stephen Kane, astrobiólogo da UCR e autor do estudo explicou que “com a migração de Júpiter, Vênus passaria por mudanças dramáticas no clima, esquentando, esfriando e perdendo cada vez mais sua água na atmosfera”. O estudo insinua que a movimentação de Júpiter provavelmente fez com que Vênus se tornasse inabitável pela perda total de sua água.

O modelo de Kane revela que quando Júpiter estava mais próximo do Sol, há cerca de 1 bilhão de anos, Vênus possuía uma eccentricidade de provavelmente 0,3, com chances maiores de ser habitável. Atualmente é de 0,006.

Sobre a fosfina, Kane afirma ser possível que o gás seja produzido por micróbios, e se assim for, eles podem representar “a última espécie sobrevivente em um planeta que passou por uma mudança dramática em seu ambiente”.

“Eu me concentro nas diferenças entre Vênus e a Terra, e o que deu errado com Vênus, para que possamos ter uma visão sobre como a Terra é habitável e o que podemos fazer para pastorear esse planeta da melhor maneira”, comentou o cientista.